09 de julho de 2026
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Iraque: os cenários possíveis


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Os diplomatas ainda conversam, mas a voz das armas está cada dia mais próxima. O jogo no tabuleiro político, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, está definido. As mudanças ocorrerão entre os membros não permanentes devido às pressões norte-americanas. México e Chile já o anunciaram. Como se moverão as peças militares? Os fatores que levam à guerra aparecem cada dia mais claros. É uma combinação de três fatores principais.

Primeiro: os interesses geoestratégicos dos Estados Unidos na região do Golfo e no domínio da segunda maior reserva de petróleo do mundo: o Iraque. O segundo é o das características pessoais da estrutura do poder no atual governo dos Estados Unidos e de seus principais personagens e seus antecedentes. Por fim, o elemento mais importante é a reativação em nível mundial da doutrina de Theodore Roosevelt, do direito de os Estados Unidos intervirem e imporem seus interesses em qualquer parte do mundo.

A justificativa para a luta contra o terrorismo não resiste, no caso do Iraque, à menor análise, nem foi apresentada a menor prova. Entretanto, foi montada a maior operação na mídia para mostrar que Saddam Hussein e Osama bin Laden funcionam como uma única pessoa e que ambos atacaram, em 11 de setembro, os Estados Unidos, como descrevem brilhantemente Gore Vidal e John Le Carré , em duas recentes entrevistas.

As possibilidades de que a guerra aconteça são muito altas. Quando? Considerando a experiência dos últimos 12 anos, e que os principais ataques aéreos noturnos acontecem nas fases mais escuras da lua, corresponderia ao período entre o final de março o início de abril, ou, como alternativa, o mesmo período do mês seguinte. Como todos os especialistas prevêem uma estratégia de guerra-relâmpago, este é um momento de alto risco. Por outro lado, as temperaturas muito altas que começarão em algumas semanas na região encurtam os prazos.

Quais seriam as possíveis vias de ataque ao Iraque? Existem várias hipóteses. Segundo a disposição das forças dos Estados Unidos e da Inglaterra, e considerando que o objetivo central será a tomada de Bagdá e a liquidação de Saddam Hussein, a hipótese mais plausível é, após se garantir através de bombardeio em massa e do absoluto domínio do espaço aéreo, uma invasão terrestre partindo de três direções: do Kuwait, da Arábia Saudita e da Turquia, no norte.

Em qualquer caso, o domínio das duas zonas principais (Bagdá e os campos petrolíferos) determinará um alto nível de “danos colaterais” pelo uso maciço de bombardeios aéreos e terrestres. O exército do Iraque, mesmo reduzido por causa do bloqueio e pelas conseqüências da Guerra do Golfo de 1991, dispõe de 300 mil homens, mais cem mil da Guarda Republicana, concentrados em posições no terreno e preparados durante muitos meses para proteger esses objetivos. A moral das tropas, sua capacidade de resistência, determinará a duração das operações e o custo em vidas humanas e em recursos econômicos e militares para os Estados Unidos. Bem como o nível de destruição do país.

Os principais analistas de Washington estimam o custo total da guerra entre US$ 70 bilhões e US$ 95 bilhões, dos quais US$ 30 bilhões exigidos pela Turquia para permitir o deslocamento de 62 mil soldados. Não há nenhum perigo de erro: se a guerra estourar, os comuns mortais jamais saberão seus custos reais. (O autor, Esteban Valenti, é jornalista e coordenador do semanário uruguaio Bitácora)