Em 1996 estivemos na Colômbia a fim de participar de Encontro Latino-americano de Universidades com a Agência Espanhola de Cooperação Internacional. Em Bogotá e Cartagena de Indias tivemos exemplos do caminho, há mais de seis anos, que o Brasil está trilhando agora. Hospedados em Bogotá em um hotel de boa qualidade, junto ao principal shopping da cidade, desejávamos visitar alguns pontos da cidade procuramos a gerência para orientações. Primeira informação: só sair com a van do hotel, pois a cidade não apresenta segurança. Fomos ao “cerroâ€, ao “Casa Vieja†e outros locais. Durante os passeios vimos as pessoas sendo examinadas pelo Exército, como as mãos sobre a parede e as pernas abertas.
Não vimos policiais nas ruas. Somente a presença de soldados do Exército. Em Cartagena de Indias ficamos no Hotel de Las Americas, um 5 estrelas, confortável, mas a praia em frente, particular, era patrulhada por soldados do Exército. E a nossa Colômbia? Na sexta-feira sentimos bem de perto o poder do crime organizado...
O Juiz Antonio José Machado Dias, nosso primo, com 47 anos e uma brilhante carreira na Magistratura - sonho com o qual sonhou quando saiu da Faculdade de Direito, foi assassinado. Bisneto do capitão Francisco de Mello Dias e sobrinho bisneto do coronel Candinho de Mello Dias, tinha a cepa do tronco familiar do coronel Florentino de Mello Dias. Todos os que citamos ajudaram a construir este estado e país no final do 19 e começo do 20.
O nosso Turuco, um dos oito filhos do prof. dr. Octacílio Dias (lecionou na USP e Osasco) pode ser a bandeira - assim como Falcone (campanha das mãos limpas na Itália) que o nosso desajeitado aparelho estatal trata as questões de segurança, tanto coletiva, como individual. Desejamos que a morte do Turuco não seja mais um elemento de discursos de políticos e autoridades, pois deixa uma carreira de honestidade e que nunca cedeu a criminosos que têm uma batelada de “advogadosâ€...
Senhores administradores públicos, desçam dos palanques do ano passado e passem para a ação, senão a morte do Turuco foi mais uma... em vão... (O autor, Muricy Domingues, é professor, chefe de gabinete da Reitoria e assessor para assuntos internacionais da USC)