09 de julho de 2026
Regional

Detentos fogem de presídio em Pirajuí

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Pirajuí - Quatro presos da penitenciária Valter Faria Pereira de Queiroz, a PI de Pirajuí, fugiram ontem de madrugada da unidade.

Os fugitivos, Genivaldo Gomes da Silva, 40 anos, Adriano Bueno, 29 anos, José Antônio da Silva, 25 anos, e Ivanildo Aparecido de Arruda, 26 anos, estouraram a saída de ar de duas celas, localizadas no raio 2 da penitenciária, empreenderam fuga pelo pátio e cortaram o alambrado. Em seguida, ganharam a rua, tomando rumo ignorado. Todos respondem pena por assalto.

Ainda durante a madrugada, os agentes penitenciários que faziam a ronda pelo local perceberam a fuga dos detentos e acionaram a Polícia Militar (PM). No entanto, os fugitivos não haviam sido encontrados até a noite de ontem. “Como o presídio é perto da estrada não se sabe ao certo se já havia alguém esperando, ou algum carro na expectativa”, afirma o diretor.

A PI fica localizada no quilômetro 6 da estrada vicinal Prefeito Aníbal Haman, que liga Pirajuí a Garça.

A penitenciária foi projetada para comportar 500 presos, mas no momento da fuga tinha 920, quase o dobro de sua capacidade.

Modelo antigo

Segundo a direção do presídio, essa é a segunda fuga registrada no local nos últimos quatro anos. A primeira ocorreu em janeiro de 2003, quando dois detentos fugiram da unidade.

O diretor Flávio Bittencourt afirma que o presídio, considerado de segurança média, é o mais antigo da região e que parte da estrutura do alambrado está desgastada.”O alambrado é muito antigo e qualquer movimento que você faça ele quebra. É um modelo já ultrapassado”, afirma.

Segundo o diretor, o presídio não possui muro e a única separação da rua se dá através do alambrado.

Questionado sobre a possível fragilidade da segurança local, o diretor afirma que o presídio foi construído para abrigar presos de baixa periculosidade e teria uma estrutura semelhante ao Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru. “A única diferença é que tem policiamento no alambrado. Ela (a penitenciária) é todinha aberta. O preso saiu da cela e já vê a estrada e a rua.”

Apesar disso, o diretor assegura que as fugas no local não ocorrem com freqüência. Além da PI, a cidade de Pirajuí possui também uma penitenciária de segurança máxima, a PII.

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Diferencial

Pirajuí - Segundo o diretor Flávio Bittencourt, a Penitenciária I de Pirajuí foi inaugurada em 1978, com a proposta de ser um modelo diferenciado de presídio. No local, funciona atualmente uma indústria de carteiras escolares que, segundo o diretor, produz cerca de 600 unidades por dia.

“Essa é uma penitenciária diferente. Ela é uma unidade modelo, que tem uma indústria muito grande funcionando dentro dela. Ela foi construída para abrigar apenas presos de baixa periculosidade”, explica.

Segundo o diretor, os 175 detentos que trabalham atualmente no presídio foram selecionados pelo bom comportamento e recebem pela atividades a média de um salário mínimo por mês. O programa é gerenciado pela Fundação de Amparo ao Preso (Funap).

Esse modelo de recuperação, segundo o diretor, ajuda a evitar tensões dentro da unidade, bem como o registro de fugas. “Isso tudo ameniza a situação do detento.”

Apesar do diferencial, o diretor admite que a questão da superpopulação tem sido um problema. “Você constrói uma unidade para 500 sentenciados e coloca quase o dobro, então tem uma série de dificuldades, como de acomodação, dificuldade de proporcionar ao preso melhor atendimento judiciário. São as contigências do sistema”, pondera.

Apesar disso, o diretor acredita que a superpopulação não tem sido um fator motivador de fugas. “Nos últimos anos não tem influenciado. Eu não vejo perigo. A fuga de hoje (ontem) foi um acidente”, acredita.