08 de julho de 2026
Geral

Famílias saem da praça do Jd. Ferraz

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

As últimas três famílias de desabrigados que permaneciam acampadas na praça Jaime Bichusky, no Jardim Ferraz, abandonaram o local na segunda-feira. Os objetos pessoais e os móveis lá deixados são os únicos resquícios das 30 pessoas que se instalaram na praça depois de serem despejadas devido a uma liminar de reintegração de posse. Elas ocuparam irregularmente casas de propriedade particular.

De acordo com Paula de Carvalho Costa, que mora no bairro e auxilia os vizinhos sem-teto, uma das famílias se transferiu para a favela do Jardim América e outra se juntou ao grupo que ocupou o Centro Comunitário do Jardim Ipiranga há uma semana, conforme publicou o JC. Ninguém tem notícia da terceira família.

“Desanimamos de ficar na praça. A gente pensou que seria ajudado, mas os únicos que nos deram apoio foram alguns amigos e os vereadores Maria Majô Jandreice (PC do B) e o José Carlos Batata (PT)”, conta Divino Barbosa.

Ele mudou com a mulher e os filhos para o centro comunitário. Uma família que vivia no local conseguiu uma casa de dois cômodos através da doação de uma igreja evangélica.

“Deixamos na praça móveis e colchões que não prestam mais, porque foram molhados com a chuva. Perdi também travesseiros, roupas e uma máquina de cortar grama. Mesmo assim, estamos trabalhando normalmente. Eu recebo R$ 84,00 do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e não consigo sobreviver com isso. Portanto, faço bicos e preciso de ajuda”, confessa Barbosa.

Segundo o seu cunhado, Waldemar Pereira, as famílias que hoje vivem no centro comunitário também enfrentam dificuldade, devido à falta de energia elétrica.

Sem ela, a conservação dos alimentos é precária. “Pelo menos estamos seguros. Quem puder nos ajudar com mantimentos, pode nos encontrar aqui, na rua Tamandaré, quadra 29”, esclarece.

Eles estão abrigados no Centro Comunitário do Jardim Ipiranga sem o consentimento da associação de moradores do bairro, que está com o mandato vencido. Contudo, por meio da intermediação da vereadora Majô, os ex-membros da associação se comprometeram a fazer um contrato referente à permanência das famílias no local.

“Foi o que deixei combinado com o ex-presidente da associação, mas ele não nos procurou mais. Por isso, penso em fazer um termo independente”, ressalta Majô.

O JC tentou localizar o ex-presidente da associação, mas foi informado que ele não reside mais no bairro e não deixou contato. A responsabilidade pela limpeza das praças é da Secretaria Municipal das Administrações Regionais.