08 de julho de 2026
Geral

Acordo pode evitar novos despejos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Para evitar que a incidência de desabrigados aumente, parte dos 21 moradores do Jardim Ferraz, que também vivem em propriedades ocupadas irregularmente, participou anteontem de uma reunião no bairro. Na oportunidade, iniciou-se a discussão de um acordo com o proprietário dos imóveis, Eduardo João Assef.

No encontro, viabilizado no salão da igreja Sagrada Família pelos vereadores Maria José Majô Jandreice (PC do B) e José Carlos Batata (PT), eles foram representados pela Associação dos Sem Lar de Bauru.

“A idéia é chegar a um consenso. Decidimos apresentar uma proposta para que as famílias permaneçam nas casas. Vamos estudar quanto elas podem pagar. Pensamos em algo em torno de R$ 50,00 para residências com dois dormitórios e R$ 80,00, para as de três”, explica o advogado da entidade, José Hermann Schroeder.

Também interessado em evitar confrontos, o advogado de Assef, Ailton José Gimenez, espera firmar um acordo rapidamente. “Achei que já receberia uma proposta ontem (anteontem). Temos pressa. Vamos estudar os casos individualmente”, explica.

O posicionamento receptivo do proprietário dos imóveis animou a vereadora Majô. Para ela, a possibilidade de consenso trilhada anteontem é um avanço. “Porém, ninguém falou em valor, resta saber se os moradores vão se adequar às exigências”, enfatiza.

Para se enquadrar, o professor de capoeira Ivan Cristiano Teodoro se dispõe a pagar R$ 100,00 para permanecer na casa onde mora, localizada na rua Rodofina Dias Domingues, quadra 25.

“Posso pagar no máximo metade do meu salário, que é de R$ 200,00. Em dois meses que estou aqui, já gastei R$ 350,00 para arrumar o imóvel, já que minha mulher está grávida de seis meses e precisa estar bem instalada. Pediram lealdade para a gente e é assim que vou proceder”, comenta.

Já Ângela Aparecida de Jesus, que mora na mesma rua, mas na quadra 1, está menos otimista. “Posso até pagar R$ 150,00, porém disseram que o acordo não inclui nossas casas. Não consigo nem dormir em pensar que posso ser despejada”, desabafa.

Para que a proposta oficial seja formulada, a moradora Paula de Carvalho Costa fará um levantamento da situação sócioeconômica das famílias que correm o risco de ser despejadas.