A humanidade, desde os primórdios, tem assistido ao longo dos séculos a ascensão e queda de vários impérios que dominaram o mundo. O império romano, por sua notoriedade e também pelos aspectos religiosos que o envolveram, talvez seja o exemplo mais famoso na história recente. Outros, com maior ou menor importância, poderiam formar uma extensa fila, mas não vem ao caso nesse momento.
O que interessa é que todos eram expancionistas e dominaram o mundo através de seus exércitos e de sua força econômica por períodos muito grandes.
E as quedas quase sempre foram precedidas de uma situação de caos na economia e da perda dos princípios éticos e morais que regiam as sociedades de suas épocas. Quem nunca ouviu falar ou leu alguma coisa sobre as grandes orgias ocorridas no seio do império romano?
Os aumentos abusivos dos tributos para poder sustentar toda essa farra levaram a sociedade daquele período romano ao esgotamento.
Tal qual naquele período, assistimos durante as últimas décadas ao domínio do império norte-americano sobre a maioria das nações, quer seja através de seu expancionismo, quer seja sob o julgo de seu exército em todos os continentes, ou ainda pela influência direta de sua moeda em todas as economias do mundo.
Nesse exato momento, o mundo assiste estarrecido às ameaças do presidente americano George W. Bush ao povo árabe, através da ameaça de uma guerra contra o Iraque de Saddam Hussein.
Antes do Iraque, nós tivemos a guerra do Golfo Pérsico, a guerra do Vietnã, a guerra fria contra os russos, a invasão da Coréia, sem contar as incursões e a influência em países da América Central e da América Latina.
Além da iminência de mais uma guerra, o império americano passa por uma série de pequenas crises em sua economia, até o presente momento ainda imperceptíveis aos olhos do mundo, mas que são sinalizadores de um futuro de muitas dificuldades para a moeda americana.
Outro fator que leva a crer na exaustão do modelo de sociedade preconizado pelos americanos é a excessiva liberalidade da qual goza sua juventude e que pode ser também um fator que irá gerar mudanças profundas num futuro cujo início não podemos preconizar.
A queda de um império pode levar décadas, mas os movimentos atuais da alta cúpula americana, no que tange à sua diplomacia, seus domínios territoriais, sua expansão comercial excessivamente protecionista e danosa aos seus parceiros, sua desastrosa política externa no Oriente Médio, o afastamento gradual de seus antigos aliados franceses e germânicos no caso do conflito com os árabes, sinalizam para um período de grandes turbulências num futuro não muito distante.
Da mesma forma que seria difícil imaginar o fim do domínio romano, também temos muita dificuldade em imaginar a queda do gigante norte-americano, mas ela virá e não está tão longe assim que não se possa ao menos imaginar. (Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6)