09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

As críticas ao governo Lula


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Qual seria o objetivo das críticas ao novo governo? Teriam elas caráter construtivo ou de rancor? Por décadas vários governos farrearam e saquearam os cofres públicos, sem essas críticas contundentes. Por que esse despertar repentino? Seria melhor aguardar o desenrolar dos fatos e, caso não seja satisfatório, criticar com dados sólidos. A sugestão é que pensemos com grandeza o momento, porque ele é difícil, qualquer que fosse o governo, com a herança que estamos tendo e com o que foram as últimas duas décadas do Brasil.

Na América Latina, a Argentina viveu um colapso econômico. A política de âncora cambial, que durou onze anos e meio, destruiu a Argentina.A Venezuela enfrenta uma crise institucional profunda. A Colômbia, numa guerra civil. A Bolívia passou por uma insurreição recente. No Paraguai, pedido de impeachment.O Equador sofreu uma tentativa de golpe de Estado, uma insurreição, uma mudança profunda de governo.

O Brasil, que faz parte desse continente, está em crise pela farra que governos anteriores fizeram e ninguém se manifestou. A dívida pública, quando o governo anterior assumiu, era de R$ 61,5 bilhões. Ao sair, era de R$ 623 bilhões.O custo de rolagem da dívida pública em 2001 era de 18,5%. No ano passado(2002), era de 44%. Que país agüenta pagar esses juros? O Brasil de hoje tem uma dívida pública de R$ 880 bilhões; 16 milhões de analfabetos; rede de esgotos em um terço das casas; 30 milhões de trabalhadores na informalidade; 50 milhões da população em estado miserável; 4.000 favelas; um déficit na Previdência Social de R$ 70 bilhões; salário mínimo de R$ 200,00; salário mais despesas dos deputados federais de R$ 69.800,00; renda de 1% dos mais ricos equivale à dos 50% mais pobres.

Para atingir esse quadro desumano demorou décadas e mais décadas, para se reverter o quadro não será em menos tempo. Estudos demonstram que se o Brasil reduzisse em 10% seu grau de desigualdade, seria o mesmo que crescer 25 anos à taxa de 3% ao ano. Dois meses em 48 de governo significam quase nada. Os índices de inflação geralmente são exibidos levando-se em conta o resultado nos últimos 12 meses. Ou seja, os percentuais atuais ainda embutem mais de um semestre do governo Fernando Henrique, momentos anteriores ao calor do primeiro e segundo turnos da campanha eleitoral.

No meio dessa turbulência, o país está melhorando, o risco país caiu, o C-Bond (principal título brasileiro negociado no exterior) aumentou, o fluxo de financiamento e dos investimentos, o dólar se estabilizou e está recuando. Isso cria condições de reverter a crise da dívida pública, da inflação e criar condições de crescimento e produção a longo prazo.Vamos torcer para o Sr. George W. Bush não estragar esse cenário positivo para o Brasil, com a sua ganância por petróleo. A cobrança deve ser feita, porque ela é a base do aprimoramento. Mas, vá lá, com coerência. (Nildo Matos de Araújo - RG 11.963.052 SSP-SP)