08 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

Quem é Saddam Hussein


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Dubai - O líder iraquiano Saddam Hussein, na iminência de ser derrubado por um ataque anglo-americano, já sobreviveu a guerras, rebeliões, complôs golpistas e tentativas de assassinato em mais de duas décadas à frente de um poderoso Estado policial. Ainda considerado um herói por muitos árabes, por conta de sua oposição aos Estados Unidos e a Israel, Saddam é hoje demonizado pelas mesmas potências ocidentais que o armaram e apoiaram na década de 1980, quando ele representava um bastião de resistência à Revolução Islâmica do vizinho Irã.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, acusa Saddam, 65 anos, de desafiar as ordens da ONU para eliminar suas armas de destruição em massa. Ele também afirma que o regime de Bagdá tem laços com a rede Al-Qaeda, de Ossama Bin Laden, e representa uma ameaça à região, ao Ocidente e a seu próprio povo.

Saddam afirma não possuir mais armas proibidas e rejeita a idéia de que seu partido Baath, de orientação secular, possa ter ligações secretas com os fundamentalistas religiosos da Al-Qaeda.

Os vizinhos muçulmanos do Iraque acreditam que o poderio militar de Saddam já foi bastante destruído na Guerra do Golfo (1991) e ainda mais debilitado pelos 12 anos de sanções da ONU. Hoje, seu Exército não passaria de um tigre de papel.

Esses mesmos vizinhos temem que o Iraque se divida sem o pulso firme do seu presidente, o que espalharia a volatilidade por todo o Oriente Médio, onde vários governos têm sua legitimidade contestada.

Mas árabes, turcos e iranianos têm pouco a fazer para evitar que Saddam seja o próximo alvo dos Estados Unidos na “guerra contra o terrorismo”, iniciada logo após os atentados de 11 de setembro de 2001 contra Washington e Nova York.

Fã de Stalin

O culto à personalidade de Saddam Hussein permeia todo o Iraque. Suas feições duras estão em inúmeros retratos e estátuas em poses heróicas. Em alguns, ele aparece como um novo Saladino, o guerreiro islâmico. Mas ele também pode surgir em ternos brancos, fardas, roupas tribais, vestimentas curdas ou até com trajes bávaros. Saddam, cujo nome significa “aquele que confronta”, se tornou a face do Iraque.

Conhecido admirador do ditador soviético Josef Stalin, Saddam não se guia por ideologias. Mas para cimentar seu poder pessoal apela a qualquer uma delas - o nacionalismo árabe, o Islã ou o patriotismo iraquiano. Sua fama global se deve em parte à determinação que Bush demonstra em caçar “o cara que tentou matar papai” - uma referência ao suposto complô para matar o ex-presidente George Bush no Kuwait, em 1993.

Saddam conduziu seu país para duas guerras desastradas, contra o Irã (1980-88) e contra os Estados Unidos (1991), quando suas tropas foram expulsas do Kuwait após sete meses de ocupação. Suas disputas com a ONU por causa do tema do desarmamento colaboraram para manter intactas, desde 1990, as sanções econômicas ao país.

Os inspetores de armas da ONU deixaram Bagdá em 1998, após sete anos de um jogo de gato e rato com os iraquianos. Horas depois da partida deles, os EUA e a Grã-Bretanha bombardearam o país.

Os inspetores só voltaram em novembro de 2002, quando o Conselho de Segurança da ONU deu uma última oportunidade para que Saddam se desarmasse ou, do contrário, “enfrentasse sérias conseqüências”.

Saddam perdeu o controle sobre a região norte do país, habitada pelos curdos, em 1991, mas mantém o restante de seu poder graças às agências de segurança do regime e a uma nebulosa rede de clãs e tribos. Ele conseguiu sobreviver, literal ou politicamente, a adversários como o aiatolá Ruhollah Khomeini, do Irã, e o ex-presidente George Bush. Num referendo em outubro de 2002, 100% do eleitorado ira-quiano deu a ele mais um mandato de sete anos.

Saddam nasceu em 28 de abril de 1937, segundo sua biografia oficial, na localidade de Al Awja, perto da miserável e violenta Tikrit, 150 quilômetros ao Norte de Bagdá.

Seus dois filhos, Uday e Qusay, parecem tão cruéis e violentos como seu pai. Uday quase morreu em um atentado, em 1996. Qusay comanda a Organização Especial de Segurança, que protege o presidente, e a Guarda Republicana Especial, que tem 15 mil homens e é considerada a unidade mais leal ao regime. (Reuters)