08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Torre de Belém


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Quero agradecer ao senhor Ângelo Sottovia Aranha pela carta enviada à Tribuna do Leitor, publicada no dia 13 de março, com o titulo “Motivo de Luto”.

Como fundador da Confeitaria Torre de Belém, em 1969, posso assegurar que o senhor teve a sensibilidade de captar o meu espírito de negócio que norteou a Torre desde sua inauguração: “Trazer para o Interior um pouco da capital de São Paulo dos anos 70”.

Realmente, a Torre era conhecida em todo o Estado por sua inovação: era pioneira em atender a população de Bauru e toda a região em qualquer dia do ano; foi pioneira também em funcionar 24 horas por dia, em instalar um restaurante em suas dependências, em se informatizar e em outras inovações, sabendo que o cliente, como ser humano que é, tem necessidades e anseios que sempre devem ser atendidos.

Os funcionários que trabalharam em nossa empresa eram os melhores. Ali, podiam demonstrar tudo o que aprenderam em seus muitos anos de experiência. Naquela época, ainda não tínhamos uma escola para formar mão-de-obra nessa área e eles aprendiam trabalhando.

Aproveito a oportunidade para agradecer à minha esposa Laura, que sempre batalhou ao meu lado para atingirmos nossos objetivos, reconhecidos pelo senhor em sua carta.

Vendi a padaria em 1993 porque meus filhos, principalmente os dois mais velhos, queriam exercer as profissões que escolheram e estudaram em seus anos de faculdade. E por achar que eu não tinha o direito de obrigá-los a abrir mão de seus sonhos, deixei que seguissem seus caminhos. Por outro lado, eu tinha a preocupação em corresponder ao apoio que esta cidade sempre nos deu, afinal de contas, conseguimos na Torre nossa realização pessoal, profissional e o bem de toda a nossa família.

É por isso que não queria vender a empresa para qualquer pessoa. Queria que os novos proprietários dessem continuidade ao nosso trabalho e continuassem inovando, crescendo e fazendo da Torre a melhor panificadora da região.

Foi então que, finalmente, fiz o negócio com um grupo vindo de São Paulo. Tinha a esperança de que, com seus conhecimentos no ramo, vindos da capital, e com sua juventude, prosseguissem com nossa luta para que o nome da Torre continuasse a brilhar ainda mais após a minha aposentadoria e a de minha esposa.

Em todo ramo de atividade é preciso estar preparado, atualizar-se e melhorar a cada dia para ter condições de competir. É preciso oferecer sempre o melhor ao consumidor que, a cada dia, se torna mais exigente. Enfim, é preciso estar “plugado” na modernidade.

É realmente motivo de luto. São de 25 a 30 empregos a menos na cidade, tão necessários nestes dias difíceis.

Agradeço a oportunidade que o senhor me proporcionou em mostrar os meus sentimentos e de minha esposa a tão importante luta de nossas vidas. (Evaristo Rodríguez González - RG 2.947.296-9)