10 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

Analistas esperam calmaria após primeiro confronto de 'decapitação'

Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Doha - A Operação “Liberdade do Iraque”, liderada pelos Estados Unidos, começou antes do amanhecer de ontem em Bagdá com um rápido ataque aéreo para eliminar a liderança iraquiana, em tática que surpreendeu alguns analistas militares. Não havia indicação imediata se a operação obteve sucesso ou se o presidente Saddam Hussein estava entre os atingidos.

Analistas disseram que o ataque foi provavelmente apenas um prelúdio da ação maior, que deverá ser realizada com ataques de centenas de aviões para abrir caminho às forças terrestres. Esta segunda fase pode não começar nos próximos dias.

Também não há confirmação de conflitos entre forças terrestres e militares iraquianos ao Norte do Kuwait e a maioria dos analistas disse não esperar ver este cenário ontem ou nos próximos dias. Apesar disso, o ministro da defesa do Kuwait afirmou que dois mísseis iraquianos foram disparados contra o Norte do país.

Alguns especulam que o ataque inicial com mísseis de cruzeiro e caças “invisíveis” F-117A pode ser seguido por outras missões planejadas antes da incursão de “choque e medo” com 3.500 bombas de precisão e mísseis.

Armada aérea não é vista

Não havia sinal de atividade intensa no espaço aéreo do Golfo poucas horas antes do ataque inicial, disse um controlador de tráfego aéreo na região. “Está normal, até mesmo um pouco mais calmo que o normal”, disse. A Marinha dos EUA mantém três grupos de batalha de porta-aviões no golfo e outros dois no Mar Vermelho.

A lua na região estava na fase cheia no horário final do ultimato a Saddam. Analistas militares especulam que os comandantes militares podem preferir esperar até a noite de Bagdá para lançar ataques, ou até mesmo alguns dias. “Pela primeira vez os Estados Unidos usaram uma estratégia de decapitação”, disse Uzi Arad, diretor do Instituto de Israel de Política e Estratégia.

“O objetivo, neste caso, foi simplesmente eliminar a capacidade dos principais líderes de ordenar o uso de armas não-convencionais. O objetivo secundário foi provocar uma reviravolta no governo.”

Analistas e fontes da inteligência dos EUA viram uma oportunidade de atacar líderes do regime iraquiano ou comandantes militares e o presidente George W. Bush autorizou um ataque antes do planejado para capitalizar a informação.

Saddam - ou alguém que se parece muito com ele - apareceu na televisão iraquiana às 2h35 (horário de Brasília) e leu um discurso desafiando e exortando suas tropas a defender o Iraque. A televisão iraquiana disse que Saddam falou ao vivo, mas não houve confirmação independente.