10 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

EUA fazem operação no Afeganistão

Agência Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Afeganistão - Centenas de soldados, com apoio de helicópteros, iniciaram ontem uma grande operação no Sul do Afeganistão, enviando aos rebeldes locais um sinal de que a vida deles não ficará mais fácil por causa da guerra no Iraque.

“Os Diabos Brancos da Força-Tarefa 82 da Coalizão iniciaram a Operação Ataque Valoroso com um ataque aéreo às 6h (22h30 de quarta-feira em Brasília)”, disse uma nota emitida pela Base Aérea de Bagram, quartel-general das tropas dos EUA no Afeganistão.

Essa operação, segundo a nota, vai consistir de operações ofensivas a sudeste de Kandahar. Os Estados Unidos têm tropas no Afeganistão desde 2001, a fim de caçar militantes das guerrilhas Taliban e Al-Qaeda, responsável pelos ataques de 11 de setembro daquele ano contra Nova York e Washington.

O ataque de ontem usou helicópteros Chinook, Blackhawk e Apache, além de tropas terrestres. Ao todo, cerca de 1.000 militares participam da ação, grande parte deles em tarefas de apoio. A Base de Bagram anunciou que a operação estava sendo planejada havia pelo menos dois meses.

O coronel Roger King, porta-voz da base, considerou apenas “uma coincidência” o fato de a ação começar cerca de uma hora antes do início dos bombardeios no Iraque.

“As operações no Afeganistão são completamente independentes de qualquer operação em outros setores, porque elas têm uma missão completamente independente, objetivos completamente independentes, uma estrutura de força totalmente independente”, disse King.

Tradicionalmente, os combates no Afeganistão se acirram na primavera (do Hemisfério Norte), quando a neve derrete. Além disso, há relatos de que a Al-Qaeda e o Taleban estão se reagrupando e preparando ataques. Mas analistas não acreditam em coincidência e acham que o início da guerra do Iraque foi decisivo para essa operação, já que ela teria como objetivo deixar claro que as tropas norte-americanas continuarão ativas também no Afeganistão.

“Os norte-americanos já disseram várias vezes que a guerra no Iraque não vai de maneira alguma afastá-los das operações militares no Afeganistão”, disse o consultor político Aqil Shah, no vizinho Paquistão. “Imagino que esse ataque queira frisar isso, que não haverá trégua.” Kandahar era a “capital espiritual” do regime islâmico do Taliban, derrubado com ajuda dos EUA.

Nas últimas seis semanas, a cidade sofreu vários ataques com foguetes e bombas, atribuídos a remanescentes do movimento. Apesar de todo o poderio militar deslocado para o Afeganistão, os Estados Unidos ainda não conseguiram capturar o líder da Al-Qaeda, Ossama Bin Laden.

No começo deste mês, o militante apontado como o terceiro em importância do grupo, Khalid Sheikh Mohammed, foi preso no Paquistão, o que levou a especulações de que o cerco estaria se fechando sobre Bin Laden. “Essa operação ou é baseada em informações obtidas após a prisão ou é uma medida preventiva, para evitar uma mobilização da Al-Qaeda e do Taleban por causa do Iraque”, disse o escritor paquistanês Ahmed Rashid, especializado em assuntos afegãos.