Duas obras ligadas à Bauru estão entre as finalistas do Prêmio Jabuti 2003, o mais importante do mercado editorial nacional, concedido anualmente pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) desde 1959.
São os livros “Eny e o Grande Bordel Brasileiroâ€, de Lucius de Mello, biografia da lendária cafetina de Bauru Eny Cezarino e “Metrópole e Culturaâ€, da professora paulistana Maria Arminda do Nascimento Arruda, lançado pela editora da Universidade do Sagrado Coração (USC), a Edusc.
O anúncio dos três livros finalistas de cada uma das 16 categorias foi feito ontem. Todas as obras indicadas concorrem também na categoria de “Melhor Livro do Anoâ€, que será definida por meio de uma votação das entidades do livro, além da CDL, o Sindicato Nacional dos Editores Livreiros (SNEL), Associação Brasileira de Distribuidores de Livro (ABDL) e Associação Nacional das Livrarias (ANL).
O anúncio dos vencedores será realizado no dia 18 de maio, durante a 11ª Bienal do Livro, no Rio de Janeiro.
Nos dois casos, a escolha dos livros para a final já representa uma vitória para os autores, que nunca ganharam o prêmio, e também para a Edusc, que estréia na final do Jabuti com a obra de Arruda. Para chegarem na final os livros tiveram que deixar para trás centenas de obras inscritas.
No caso de “Eny...â€, resultado de quase dez anos de pesquisa do jornalista Lucius de Mello, chegar à final representa ter vencido alguns títulos badalados, como: “Fúria Santaâ€, biografia da atriz Cacilda Becker, escrita por Luís André do Prado, e “Adoniranâ€, de Ayrton Mugnaini Jr., sobre a vida de Adoniran Barbosa.
“Estou muito contenteâ€, diz, Mello, natural de Bariri, que viveu por mais de 10 anos em Bauru e atualmente mora em São Paulo. Para o autor, que já havia escrito o livro de contos “Um Violino para os Gatosâ€, em 1995, chegar à final do Jabuti é um reconhecimento do mercado editorial brasileiro. â€œÉ como se agora eu fosse parte do ‘clube’â€, afirma.
Mello não leu os outros livros indicados para a final e evita o clima de “já ganhouâ€, mas diz que vai comparecer à cerimônia de premiação já que durante a Bienal do Rio vai estar participando de um café literário. Ele ainda revela que o seu livro pode virar filme brevemente. “Já fui contactado por algumas produtoras e estou em negociação†adianta.
Inventário
A façanha de Arruda, professora da Universidade de São Paulo (USP), não foi menor. Seu livro chegou à final mesmo concorrendo com o já clássico “A Ditadura Escancaradaâ€, do jornalista Elio Gaspari, que disseca a ditadura militar e ficou de fora.
Para Luiz Eugênio Vescio, editor da Edusc, a indicação do livro de Arruda ao Jabuti sinaliza para a sociedade de leitores brasileiros a seriedade do trabalho editorial da Edusc. “Esse livro não tem só um texto excelente mas tem trabalho de pesquisa iconográfica fantásticoâ€, diz.
O livro de Arruda aborda a história cultural da cidade de São Paulo no período pós Segunda Guerra Mundial. â€œÉ um grande inventário sobre aquele momento e os reflexos que ele gerouâ€, afirma Vescio.
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Principais indicados
Na categoria, romance, são finalistas são: “Dias e Dias†(Cia. das Letras), de Ana Miranda; “No Coração das Perobas†(Record), de Domingos Pellegrini; e “Nove Noites†(Cia. das Letras), de Bernardo Carvalho. Já em contos e crônicas foram escolhidos: “O Menino do São Benedito e Outras Crônicas†(Senac), de Luís Nassif; “Pequenas Criaturas†(Cia. das Letras), de Rubem Fonseca; e “São Paulo / Brasil†(Dimensão), de Fernando Bonassi.
A diversidade marca a categoria reportagem e biografia, em que concorrem “Eny e o Grande Bordel Brasileiro†(Objetiva), de Lucius de Mello; “Fidel Castro†(Revan), de Claudia Furiati, completo retrato do comandante cubano; e “Paulo Emílio No Paraíso†(Record), de José Inácio de Melo Souza, cuidadoso retrato de um dos maiores críticos e estudiosos de cinema da imprensa brasileira.
Em ciências humanas: “Democratizar a Democracia†(Civilização Brasileira), de Boaventura de Souza Santos (org.); “A Manilha e o Libambo†(Nova Fronteira/FBN), de Alberto da Costa e Silva; e “Metrópole e Cultura†(Edusc), de Maria Arminda do Nascimento Arruda. (Agência Estado)