08 de julho de 2026
Cultura

Na final

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Duas obras ligadas à Bauru estão entre as finalistas do Prêmio Jabuti 2003, o mais importante do mercado editorial nacional, concedido anualmente pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) desde 1959.

São os livros “Eny e o Grande Bordel Brasileiro”, de Lucius de Mello, biografia da lendária cafetina de Bauru Eny Cezarino e “Metrópole e Cultura”, da professora paulistana Maria Arminda do Nascimento Arruda, lançado pela editora da Universidade do Sagrado Coração (USC), a Edusc.

O anúncio dos três livros finalistas de cada uma das 16 categorias foi feito ontem. Todas as obras indicadas concorrem também na categoria de “Melhor Livro do Ano”, que será definida por meio de uma votação das entidades do livro, além da CDL, o Sindicato Nacional dos Editores Livreiros (SNEL), Associação Brasileira de Distribuidores de Livro (ABDL) e Associação Nacional das Livrarias (ANL).

O anúncio dos vencedores será realizado no dia 18 de maio, durante a 11ª Bienal do Livro, no Rio de Janeiro.

Nos dois casos, a escolha dos livros para a final já representa uma vitória para os autores, que nunca ganharam o prêmio, e também para a Edusc, que estréia na final do Jabuti com a obra de Arruda. Para chegarem na final os livros tiveram que deixar para trás centenas de obras inscritas.

No caso de “Eny...”, resultado de quase dez anos de pesquisa do jornalista Lucius de Mello, chegar à final representa ter vencido alguns títulos badalados, como: “Fúria Santa”, biografia da atriz Cacilda Becker, escrita por Luís André do Prado, e “Adoniran”, de Ayrton Mugnaini Jr., sobre a vida de Adoniran Barbosa.

“Estou muito contente”, diz, Mello, natural de Bariri, que viveu por mais de 10 anos em Bauru e atualmente mora em São Paulo. Para o autor, que já havia escrito o livro de contos “Um Violino para os Gatos”, em 1995, chegar à final do Jabuti é um reconhecimento do mercado editorial brasileiro. â€œÉ como se agora eu fosse parte do ‘clube’”, afirma.

Mello não leu os outros livros indicados para a final e evita o clima de “já ganhou”, mas diz que vai comparecer à cerimônia de premiação já que durante a Bienal do Rio vai estar participando de um café literário. Ele ainda revela que o seu livro pode virar filme brevemente. “Já fui contactado por algumas produtoras e estou em negociação” adianta.

Inventário

A façanha de Arruda, professora da Universidade de São Paulo (USP), não foi menor. Seu livro chegou à final mesmo concorrendo com o já clássico “A Ditadura Escancarada”, do jornalista Elio Gaspari, que disseca a ditadura militar e ficou de fora.

Para Luiz Eugênio Vescio, editor da Edusc, a indicação do livro de Arruda ao Jabuti sinaliza para a sociedade de leitores brasileiros a seriedade do trabalho editorial da Edusc. “Esse livro não tem só um texto excelente mas tem trabalho de pesquisa iconográfica fantástico”, diz.

O livro de Arruda aborda a história cultural da cidade de São Paulo no período pós Segunda Guerra Mundial. â€œÉ um grande inventário sobre aquele momento e os reflexos que ele gerou”, afirma Vescio.

____________________

Principais indicados

Na categoria, romance, são finalistas são: “Dias e Dias” (Cia. das Letras), de Ana Miranda; “No Coração das Perobas” (Record), de Domingos Pellegrini; e “Nove Noites” (Cia. das Letras), de Bernardo Carvalho. Já em contos e crônicas foram escolhidos: “O Menino do São Benedito e Outras Crônicas” (Senac), de Luís Nassif; “Pequenas Criaturas” (Cia. das Letras), de Rubem Fonseca; e “São Paulo / Brasil” (Dimensão), de Fernando Bonassi.

A diversidade marca a categoria reportagem e biografia, em que concorrem “Eny e o Grande Bordel Brasileiro” (Objetiva), de Lucius de Mello; “Fidel Castro” (Revan), de Claudia Furiati, completo retrato do comandante cubano; e “Paulo Emílio No Paraíso” (Record), de José Inácio de Melo Souza, cuidadoso retrato de um dos maiores críticos e estudiosos de cinema da imprensa brasileira.

Em ciências humanas: “Democratizar a Democracia” (Civilização Brasileira), de Boaventura de Souza Santos (org.); “A Manilha e o Libambo” (Nova Fronteira/FBN), de Alberto da Costa e Silva; e “Metrópole e Cultura” (Edusc), de Maria Arminda do Nascimento Arruda. (Agência Estado)