08 de julho de 2026
Política

Servidor ameaça greve para pressionar

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A direção do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) não descarta a possibilidade de deflagrar um movimento grevista para pressionar o prefeito Nilson Costa (PPS) a rever sua proposta de aplicar 6% de reposição salarial e reajustar de R$ 111,00 para R$ 120,00 o valor do vale-compra. O Sinserm reivindica 58,71% de reposição e vale-compra de R$ 200,00.

Segundo a dirigente sindical Eliane Koti, a categoria vai cumprir o calendário de protesto aprovado em assembléia realizada na semana passada. A partir da semana que vem, os sindicalistas vão percorrer a base e promover paralisações-relâmpago.

Uma carta aberta à população, na qual é explicada a situação salarial dos servidores, também será distribuída em larga escala nos principais pontos de aglomeração da cidade, como Calçadão da Batista e pontos de ônibus.

Na segunda-feira, os sindicalistas vão se reunir novamente com representantes da administração municipal para discutir a campanha salarial da categoria. Embora os itens econômicos já tenham sido definidos pela prefeitura, os dirigentes do Sinserm vão novamente insistir com o prefeito a necessidade de revisão no índice de reposição proposto.

Esvaziamento

Os dirigentes sindicais acusaram a administração municipal de articular o esvaziamento da manifestação realizada ontem em frente ao Palácio das Cerejeiras. Cerca de 50 servidores participaram do ato, que contou com barulho de apitos, performance teatral, nariz de palhaço e até duas cruzes, simbolizando o “duro fardo” que a categoria carrega.

A dirigente Sônia Carvalho garante que houve uma mobilização da administração para distribuir um abaixo-assinado, no qual quem o assinasse receberia o salário de março já com a reposição de 6%, assim como o vale-compra no valor de R$ 120,00.

“Temos informações que carros oficiais percorreram os setores para levar esse abaixo-assinado”, denunciou. A direção da entidade havia programado uma passeata logo após o ato em frente à prefeitura, mas decidiu cancelá-la devido ao baixo número de servidores que compareceram à manifestação.

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‘Pequena influência’

O prefeito Nilson Costa (PPS) criticou ontem a ameaça do comando do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) de deflagrar um movimento grevista para pressioná-lo a rever o índice de resposição salarial oferecido à categoria, de 6%.

“O sindicato tem pequena influência nos servidores. São sempre as mesmas 30, 40 pessoas que se reúnem”, alfineta. Ele diz que respeita a manifestação como ato que compõe a democracia.

“Mas sempre vejo o sindicato querendo fazer confusão. Querem atribuir a mim atitudes antidemocráticas”, critica. Ele garante que não procede a informação de que partiu da administração municipal a iniciativa de um abaixo-assinado que reivindica a aplicação do índice de 6% de reposição nos salários deste mês.

“Esse abaixo-assinado, endereçado ao prefeito, partiu de um grupo de servidores que deseja receber o reajuste de 6% no salário deste mês, juntamente com o vale-compra de R$ 120,00”, esclarece.

Nilson informa que na segunda-feira vai decidir se aplica ou não o índice de 6% de reajuste salarial já nos vencimentos deste mês. A decisão também levará em conta o valor do vale-compra, cuja proposta da administração é reajustá-lo de R$ 111,00 para R$ 120,00.

O prefeito diz que a prefeitura não tem condições econômicas de aplicar reposição salarial acima de 6%. “As prefeituras do País estão em situação ruim. Em São Carlos, cujo governo é do PT, o prefeito oferece 4% de reposição. O governo federal vai aplicar 2,5%. O governo do Estado ensaia com 4%. Em Bauru, 6% é o que podemos dar”, afirma.

Ele explica que é incorreto o sindicato informar que o piso salarial da categoria é de R$ 265,00. “Nós só temos 11 servidores nessa condição que foram recentemente contratados através de concurso”, garante.

O prefeito diz que é preciso somar nos valores dos vencimentos da categoria o vale-compra e o plano de saúde.