10 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

Hamas incita ataques suicidas no Iraque

Por Nidal Al Mughrabi | Agência Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Gaza - Os grupos militantes islâmicos Hamas e Jihad exortaram os iraquianos nesta sexta-feira a cometer atentados suicidas contra as tropas norte-americanas e britânicas invasoras. Milhares de palestinos também saíram às ruas das principais cidades da Cisjordânia e da Faixa de Gaza para protestar contra a guerra.

Alguns pediam ao Iraque para atacar Tel Aviv, como foi feito em 1991, durante a Guerra do Golfo, com 39 mísseis Scud. â€œÓ Saddam, adorado, ataque Tel Aviv”, era o grito de aproximadamente 4 mil protestantes na Faixa de Gaza.

Em meio a bandeiras e retratos do líder iraquiano, havia também apelos para que ele use armas químicas contra Israel. “Os iraquianos devem preparar cinturões explosivos e serem mártires para combater os invasores norte-americanos”, disse Abdel Aziz Al Rantissi, líder do Hamas, à Reuters, na Faixa de Gaza.

“Os agressores norte-americanos estão agora em solo iraquiano, e portanto os iraquianos devem enfrentá-los com todas os meios possíveis, inclusive operações de martírio”, afirmou. O Hamas, que defende a destruição de Israel, mantém uma campanha de atentados suicidas para pressionar pela criação de um Estado palestino.

Centenas de pessoas já morreram nesses ataques. O líder espiritual do grupo, xeque Ahmed Yassin, repetiu mais tarde o apelo de Rantissi e pediu aos iraquianos que “destruam cada tanque, matem cada soldado”. A Jihad Islâmica, que também comete atentados contra alvos israelenses, foi na mesma linha.

“Propomos aos combatentes que avancem com seus cinturões explosivos rumo às forças invasoras para explodir seus abençoados corpos contra as forças da nova cruzada invasora agressiva”, disse um comunicado do grupo enviado à Reuters em Beirute.

O regime de Saddam Hussein costuma pagar 25 mil dólares à família de cada militantes suicida palestino. Desde setembro de 2000, quando começou a atual intifada (rebelião palestina), vários milhões de dólares já foram entregues.

As manifestações de sexta-feira transcorreram de forma pacífica nos territórios palestinos, mas em Jerusalém a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar dezenas de palestinos que gritavam: “Como nosso sangue e nossas almas vamos redimir o Iraque”.

Ninguém foi preso ou ficou ferido, segundo as autoridades. “Essa é uma guerra entre os infiéis e os muçulmanos no Iraque e em todos os lugares. O silêncio é um pecado”, disse Amin Saeed, 26 anos, na Cidade de Gaza.

Hajj Hussein, um idoso que vive no campo de refugiados palestinos de Jabalaya (Gaza), disse estar “triste e chocado” com as cenas do bombardeio a Bagdá.

“Sinto isso porque nossas casas e campos são objeto de ações similares por parte dos judeus aqui”. Um Adel, que levava uma bandeira iraquiana em Gaza, disse que “Saddam é o único líder árabe honesto e heróico”. “Todos os outros são covardes e colaboradores dos norte-americanos”, disse ela.