08 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

Bagdá busca manter imagem de força

Agência Folha
| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - Em meio à sua luta pela sobrevivência contra a aliança militar anglo-americana, o regime do ditador Saddam Hussein tenta demonstrar poder por meio de uma retórica confiante, negando perdas militares já mostradas pelas TVs de todo o mundo.

O governo iraquiano sofre crescente pressão e busca mostrar-se forte e decidido. Sua intenção é mostrar aos comandantes militares iraquianos que continua a comandar os esforços de guerra e proteger sua imagem de força aos olhos dos curdos e dos muçulmanos xiitas iraquianos, que já se levantaram contra a administração central no passado.

O ministro da Informação do Iraque, Mohammed Saeed al Sahhaf, lidera a campanha de propaganda do governo, negando fatos e chamando o presidente dos EUA, George W. Bush, e o premiê britânico, Tony Blair, de “criminosos de guerra” e “assassinos”.

Anteontem, Bagdá acionou a ONU, acusando a campanha militar anglo-americana de não respeitar as leis internacionais e Washington de agir como um “Estado terrorista”.

Al Sahhaf criticou duramente a coalizão liderada pelos americanos, classificando-a de “gangue internacional de tratantes”, e o governo de Bush, chamando-o de “o império do mal americano”. No que se refere às imagens da invasão terrestre realizada pelas tropas anglo-americanas, veiculadas em todo o mundo, o ministro simplesmente as nega.

Segundo ele, as redes de TV repetem apenas algumas imagens, não tendo cenas novas para mostrar. Para ele, as cenas dos supostos soldados iraquianos que têm-se rendido às forças inimigas são falsas, pois os “militares não são iraquianos”.

Ele também disse que os poucos mísseis iraquianos que atingiram o Iraque provocaram “pânico” em sua população. Na entrevista coletiva concedida ontem, Al Sahhaf estava acompanhado do ministro do Interior iraquiano, Mahmoud Diab al Ahmad. Este portava um fuzil Kalashnikov e uniforme militar.

“Alguns de vocês podem estar se perguntando por que tenho um fuzil Kalashnikov em minhas mãos e estou de uniforme militar. A resposta é que todos decidimos não deixar nossas armas até o dia da vitória”, declarou Al Ahmad.

Al Sahhaf afirmou que os soldados americanos ou americanos capturados pela forças iraquianas poderão não ser tratados como prisioneiros de guerra - que têm direito à proteção estabelecida pelas Convenções de Genebra.

“Trata-se de mercenários. Provavelmente, eles venham a ser tratados como mercenários e como criminosos de guerra. Com certeza, as leis internacionais não se aplicam a eles”, disse.

Rendição

O secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, afirmou que oficiais da coalizão anglo-americana tiveram conversas secretas com membros da Guarda Republicana do Iraque, considerada uma das forças mais bem treinadas que estão a serviço de Saddam, visando convencê-los a desertar ou a render-se.

Afirmando que “os dias de Saddam estão contados”, Rumsfeld disse que se sentia confiante, pois a ameaça de mais ataques maciços dos EUA estaria fazendo com que várias unidades das Forças Armadas iraquianas começassem a considerar a hipótese de um cessar-fogo .

“Estamos nos comunicando com oficiais militares de vários níveis hierárquicos. Eles estão cada vez mais conscientes do que ocorrerá em breve e de que Saddam deixará o poder”, declarou Rumsfeld.

Ele pareceu ter certeza de que a vitória final não tardará. Entretanto, de acordo com especialistas em táticas político-militares, suas declarações podem fazer parte da guerra psicológica que Washington lançou, nos últimos dias, para tentar pressionar as autoridades iraquianas.