08 de julho de 2026
Geral

Projeto visa racionalizar transporte

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Os problemas e necessidades do sistema de transportes de Bauru foram o tema desta última semana na reunião do grupo que coordena o projeto Bauru+10. A cidade passará por mudanças na rede de ônibus coletivos a partir do próximo mês. O objetivo principal é a racionalização do sistema. A avaliação das conseqüências disso já gerou vários questionamentos.

Segundo o coordenador do Grupo de Planejamento Urbano, arquiteto José Xaides de Sampaio Alves, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) iniciou a reunião apresentando um histórico dos ônibus coletivos desde 1996, quando houve a quebra do monopólio na concessão das linhas.

Na época, a frota era composta por 250 veículos, dos quais cerca de 60 precisavam ser substituídos em função de problemas como falta de qualidade ou manutenção. A prefeitura promoveu licitação e, junto com as novas empresas, a cidade ganhou mais 86 ônibus. “Só que aqueles 60 não saíram de circulação e ficamos com 336 ônibus operando”, conta o arquiteto.

Ele explica que o excesso de carros resultou em sobreposição de linhas, ou seja, duas ou mais empresas passaram a percorrer o mesmo trajeto, causando uma “briga” por passageiros nas ruas. Conseqüentemente, o sistema começou a dar prejuízo.

“Só que, pelo contrato, estas empresas não recebem por número de passageiros. Elas recebem um valor fixo anual que deve ser pago pela Câmara de Compensação Tarifária. Como o sistema tem dado prejuízo, a câmara tem sofrido um déficit mensal de aproximadamente R$ 500 mil. A dívida atual com as empresas já chega a R$ 5 milhões e o ônus é da prefeitura”, explica Xaides.

Para reverter esse quadro, a Emdurb contratou uma empresa e fez uma pesquisa sobre as necessidades do usuário. Com base nos resultados, está programando uma série de mudanças que serão implantadas na cidade a partir de abril.

Do lado prático, as principais mudanças previstas são a redução de 20% da frota que circula atualmente, com readequação das linhas. Os pontos também serão revistos e deverão respeitar uma distância máxima de 300 metros entre si, e não mais de 500 metros, como é atualmente.

Novos eixos

Mas existem problemas que são de difícil solução. Xaides lembra que Bauru é uma cidade polarizada - tudo se concentra na região central, que é onde há maior oferta de emprego e um forte comércio. A racionalização vai manter este modelo, o que tende a saturar ainda mais as vias da região central. Na opinião do arquiteto, do modo como está o sistema viário não suportaria o crescimento da cidade em poucos anos.

Outro problema é que a cidade se desenvolveu de maneira muito segmentada e espalhada. A periferia fica muito longe da região central e a infra-estrutura viária desses bairros é mais frágil. “Então, o ônibus, além de ter que percorrer distâncias muito grandes, enfrenta ruas estreitas e de asfalto ruim (ou sem asfalto), o que traz problemas de manutenção e mais despesas”, comenta Xaides.

Por um lado, uma das alternativas para solucionar o problema seria criar novos eixos de tráfego e aumentar as ligações interbairros com anéis viários. “Quando a avenida Duque de Caxias foi ligada à Vila Falcão, aliviou o fluxo na avenida Rodrigues Alves. Só que, em poucos anos, ela acabou se tornando uma das primeiras opções para atravessar a cidade e hoje já enfrenta congestionamentos”, ressalta.

Outra solução, segundo Xaides, seria a prefeitura investir na descentralização, ou seja, incentivar o potencial de comércio dos bairros. Isso geraria empregos e reduziria a demanda de ônibus para a região central da cidade.

Passe especial

Outro questionamento levantado pelo grupo do Bauru+10, segundo Xaides, é que o novo projeto da Emdurb não prevê a venda de passes especiais para estudantes, idosos e portadores de deficiência, o que está previsto em lei.

Ele comenta que muitos são contra o passe especial porque temem que o grande volume de estudantes da cidade acabe resultando em prejuízo ao sistema de transportes. “Só que a prefeitura deveria oferecer esse passe como um investimento. Ela está investindo em estudantes que, amanhã, serão empresários e geradores de empregos no município”, ressalta.

Além disso, ele lembra que um sistema de transportes bem organizado e humanizado garante uma boa imagem para a cidade, o que também contribui para atrair novos investimentos.

Xaides salienta que o projeto de modelagem do sistema de transportes de Bauru será dinâmico e flexível, de modo que possa ser alterado respeitando as mudanças de perfil do usuário.