08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

NOSSA LÍNGUA


| Tempo de leitura: 3 min

Caros leitores, uma das coisas mais fantásticas (entre tantas) que nós brasileiros possuímos é, sem dúvida, a nossa Língua Portuguesa. Contribuição dos portugueses que aceitamos e aprimoramos, com tantas outras palavras oriundas dos escravos africanos, anglicismo (tão em moda), espanhol, galicismo, enfim, milhares de vocábulos, latim, grego etc... Soma-se a isso o número incontável de gírias e neologismos criados pelos brasileiros, e temos o mais rico e diversificado idioma do mundo! Vejam, por exemplo, a facilidade que temos para fazer trocadilhos e metáforas, usando as palavras em seus inúmeros sentidos. É, também, algo espetacular, os cacófatos (união sonora, no mínimo ambígua, de duas palavras) que voluntária ou involuntariamente acontecem. Por exemplo: “Meu coração por ti gela”, “meus afetos por ti são”, “já que não posso amar ela”, “já nela não penso então”! “Cuba lançou foguete, Brasil vai lançar também; lança, Cuba, lança, quero ver Cuba lançar.” Alguns exemplos de conteúdo chulo, no melhor estilo ginasiano: “Vamos cá indo.” “Meus ideais como os concebo.” “Quem se ocupa de trabalho sobe na vida, quem não se ocupa desce.” “O chato para o vaqueiro é na hora de cercar gado.” “Corro de manhã, para ir trabalhar com o cooper feito.” O trocadilho é considerado pelos grandes escritores, como sendo o “travesti” de nossa língua, num duplo sentido que comprova a riqueza do nosso idioma. A pontuação, dentro da comunicação escrita, é outro fator importante, chegando a mudar o sentido de uma frase. Sintam o poder que teria, se colocada, uma simples vírgula, nas frases seguintes: “Vendem-se bacias para dar banho em crianças de alumínio” (as bacias é que são de alumínio, logo, a vírgula deveria ser colocada após a palavra “crianças”). “Vendem-se guarda-chuvas para homens de cabo grosso.” Da mesma forma, quem possui o “cabo grosso” é o guarda-chuva. Vírgula após a palavra “homens”. “Pintamos tecidos para mulheres de qualquer cor.” Os tecidos é que podem ser de qualquer cor. Vírgula após a palavra “mulheres”. Pior ainda, fica aquela tabuleta afixada na porta de um salão de beleza: “Corto cabelo e pinto.” Aposto que nenhum homem vai entrar lá, se não tiver certeza de que é o seu cabelo que será cortado e pintado. Viram o que faz uma frase assim construída? Que perigo! Termino esta minha comunicação escrita com os leitores do JC, narrando uma breve “estória”, cujo desfecho revela um dos melhores “trocadilhos” que eu já vi.

Uma certa jovem que estava grávida foi até o Cartório Civil, querendo registrar seu filho (ainda não nascido), e que ela dizia ser homem e que deveria chamar-se Edison. Complacentemente, o funcionário do Cartório a convenceu de voltar quando a criança já tivesse nascido, para fazer o registro. Alguns meses mais tarde, aparece a nossa jovem no Cartório novamente, com seu guri no colo. - Aqui está meu filho! - bradou. - Pode registrar. Vai se chamar “Pelé”! Perplexo, o paciente funcionário perguntou: - Mas você não disse que ele se chamaria Edison? Ao que a simpática jovem respondeu: - “Edison era antes do nascimento”, agora quero que seja “Pelé”! E pensar que no Brasil muitos alunos “passam de ano” sem saber ler nem escrever! (Fernando Lucilha Júnior - RG: 5.023.413)