Caros leitores, uma das coisas mais fantásticas (entre tantas) que nós brasileiros possuímos é, sem dúvida, a nossa Língua Portuguesa. Contribuição dos portugueses que aceitamos e aprimoramos, com tantas outras palavras oriundas dos escravos africanos, anglicismo (tão em moda), espanhol, galicismo, enfim, milhares de vocábulos, latim, grego etc... Soma-se a isso o número incontável de gírias e neologismos criados pelos brasileiros, e temos o mais rico e diversificado idioma do mundo! Vejam, por exemplo, a facilidade que temos para fazer trocadilhos e metáforas, usando as palavras em seus inúmeros sentidos. É, também, algo espetacular, os cacófatos (união sonora, no mínimo ambígua, de duas palavras) que voluntária ou involuntariamente acontecem. Por exemplo: “Meu coração por ti gelaâ€, “meus afetos por ti sãoâ€, “já que não posso amar elaâ€, “já nela não penso entãoâ€! “Cuba lançou foguete, Brasil vai lançar também; lança, Cuba, lança, quero ver Cuba lançar.†Alguns exemplos de conteúdo chulo, no melhor estilo ginasiano: “Vamos cá indo.†“Meus ideais como os concebo.†“Quem se ocupa de trabalho sobe na vida, quem não se ocupa desce.†“O chato para o vaqueiro é na hora de cercar gado.†“Corro de manhã, para ir trabalhar com o cooper feito.†O trocadilho é considerado pelos grandes escritores, como sendo o “travesti†de nossa língua, num duplo sentido que comprova a riqueza do nosso idioma. A pontuação, dentro da comunicação escrita, é outro fator importante, chegando a mudar o sentido de uma frase. Sintam o poder que teria, se colocada, uma simples vírgula, nas frases seguintes: “Vendem-se bacias para dar banho em crianças de alumínio†(as bacias é que são de alumínio, logo, a vírgula deveria ser colocada após a palavra “criançasâ€). “Vendem-se guarda-chuvas para homens de cabo grosso.†Da mesma forma, quem possui o “cabo grosso†é o guarda-chuva. Vírgula após a palavra “homensâ€. “Pintamos tecidos para mulheres de qualquer cor.†Os tecidos é que podem ser de qualquer cor. Vírgula após a palavra “mulheresâ€. Pior ainda, fica aquela tabuleta afixada na porta de um salão de beleza: “Corto cabelo e pinto.†Aposto que nenhum homem vai entrar lá, se não tiver certeza de que é o seu cabelo que será cortado e pintado. Viram o que faz uma frase assim construída? Que perigo! Termino esta minha comunicação escrita com os leitores do JC, narrando uma breve “estóriaâ€, cujo desfecho revela um dos melhores “trocadilhos†que eu já vi.
Uma certa jovem que estava grávida foi até o Cartório Civil, querendo registrar seu filho (ainda não nascido), e que ela dizia ser homem e que deveria chamar-se Edison. Complacentemente, o funcionário do Cartório a convenceu de voltar quando a criança já tivesse nascido, para fazer o registro. Alguns meses mais tarde, aparece a nossa jovem no Cartório novamente, com seu guri no colo. - Aqui está meu filho! - bradou. - Pode registrar. Vai se chamar “Peléâ€! Perplexo, o paciente funcionário perguntou: - Mas você não disse que ele se chamaria Edison? Ao que a simpática jovem respondeu: - “Edison era antes do nascimentoâ€, agora quero que seja “Peléâ€! E pensar que no Brasil muitos alunos “passam de ano†sem saber ler nem escrever! (Fernando Lucilha Júnior - RG: 5.023.413)