08 de julho de 2026
Bairros

Comércio investe em segurança

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

Vale tudo: cães de guarda, grades, alarmes, câmeras e seguranças particulares. E tudo é pouco para impedir que os ladrões causem prejuízos aos estabelecimentos comerciais localizados no Centro ou nos bairros de Bauru.

Diante da situação considerada crítica, tais dispositivos de segurança não são mais privilégio de grandes estabelecimentos. Padarias ou mercearias localizadas em bairros de periferia adotaram a medida - um investimento necessário.

Airton José Travain, dono de uma loja de materiais de construção no Parque Jaraguá, já recebeu quatro vezes as inconvenientes visitas dos ladrões.

Há alguns meses, decidiu instalar um sistema de alarme e contratou um segurança particular. “A margem da gente é pouca e a gente ainda precisa pagar segurança”, reclama.

Outro cuidado que ele toma é fechar a loja antes de escurecer. “A gente não esperava que fosse chegar na situação em que estamos chegando. Hoje em dia, eles não arrombam mais portas. Eles arrombam paredes”, acrescenta o comerciante.

A proprietária de um mercado localizado no Parque Jaraguá, Elenice Andrade, diz que sente-se constantemente ameaçada. Ela fica atenta às pessoas que entram e às que ficam paradas na esquina ou na calçada. “A gente fica sempre de olho e qualquer coisa a gente chama a polícia. Aqui, a situação está terrível”, enfatiza.

Elenice já não anda mais pelas ruas do bairro à noite e, sempre que retorna para casa, dá uma volta no quarteirão antes de entrar para ter certeza de que não há ninguém esperando.

Outro comerciante que reclama é Gervasio Vitorini, que tem um bar e mercearia. Ele já foi assaltado duas vezes e sofreu uma tentativa de furto.

Vitorini afirma que conhece e trata bem os bandidos do bairro. “Se a gente trata mal é pior. Faz dez anos que a gente tem o comércio aqui e a gente conhece bastante. Quando suspeitamos, acionamos o alarme para assustar as pessoas”, conta.

Ele não tem mais coragem de deixar a casa vazia ao sair. Sempre fica alguém, além dos dois enormes cães de guarda.

O carro do comerciante não fica na rua. Vai direto para a garagem. No centro, ele prefere os estacionamentos pagos e anda sempre atento. “Com os quatro olhos abertos. Em vez de dois, tem que ter quatro. A gente não tem mais sossego”, ressalta.

Maria Aparecida Moraes tem uma padaria com alarme mas já não acredita que tais dispositivos inibam a ação dos ladrões. “O que a gente pode fazer? Não tem muito o que fazer. Não tem horário para eles assaltarem. Eles fazem a qualquer hora”, reforça.

Ela escolhe os horários para sair de casa e diz que a medida já virou praxe entre os moradores do bairro. “A maioria das pessoas têm medo de sair aqui à noite. Para as pessoas que estudam é complicado”, diz.

Bares

O comerciante José Félix ficou conhecido no bairro em que mora por ter instalado grades em seu bar, há mais de dois anos. Elas separam os clientes dos funcionários e causam espanto, conforme o JC noticiou na época.

A idéia das grades surgiu depois que ele levou um tiro que atingiu de raspão sua cabeça, durante um assalto. Agora, sente-se mais seguro e afirma que nunca mais foi assaltado.

“Não tem como eles passarem pela grade. Se não fosse isso eu tenho certeza de que já teriam roubado mais vezes”, avalia Félix.

Atualmente, os programas de lazer que costumava fazer com a família foram suspensos devido à falta de segurança no bairro. “Não saio à noite. Há um tempo eu saía para comer um lanche ou uma pizza com a família. Não dá coragem”, confessa.

Bares localizados da avenida Rodrigues Alves, nas proximidades da Câmara Municipal, também sofrem com a ação de vândalos. É o caso do estabelecimento de Nelson Alves de Moraes, que já foi arrombado várias vezes. Ele afirma que as invasões diminuíram depois que instalou grades nos fundos do bar.

A tática de Braulino Marques, que tem um bar no Jardim TV, foi instalar alarme no local e manter bom relacionamento com os infratores do bairro.

“A gente conhece mais ou menos quem são os caras. Então, a gente procura andar direito com eles. Não adianta denunciar um cara desses que ele vai preso hoje e amanhã está solto”, explica.

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Postos de combustíveis

Se para o comércio tradicional já é difícil combater a violência, para os postos de combustível é ainda mais. Entre os que funcionam em período noturno, não é fácil encontrar um que não tenha sido assaltado.

Muitos postos utilizam câmeras com o objetivo de inibir a ação dos infratores. É o caso do posto gerenciado por Edson Sebastião Dionízio, que fica na avenida Rodrigues Alves.

“Evitamos ficar com muito dinheiro exposto e tomamos cuidado com quem a gente atende. Já sabemos quem freqüenta e quando vemos estranhos prestamos mais atenção”, conta.

No dia-a-dia, Dionízio diz que evita ficar muito tempo parado em semáforos, principalmente à noite.

Em outro estabelecimento, que fica no Centro, a alternativa encontrada pelo proprietário foi guardar o dinheiro em cofre.

Ludimila Franco, proprietária de um posto localizado na avenida Pinheiro Machado, diz que já aprendeu a melhor forma de manter os bandidos afastados. “Não tenho medo de denunciar quando há uma atitude suspeita. Confio na polícia e não nos bandidos”, diz.

Ela disse que já houve tentativa de roubo no local, mas os autores foram presos antes mesmo de levar o dinheiro. “Se todo mundo fizer isso, as ocorrências diminuem. Não precisa se trancar em casa, com medo dos ladrões. Se o pessoal acreditar, funciona”, enfatiza Ludimila.

Outra estratégia da proprietária é mudar o percurso no caminho para casa. “Eu nunca vou pelo mesmo caminho”, destaca.