09 de julho de 2026
Política

Para Nilson, governo municipal vai bem

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 6 min

O prefeito Nilson Costa (PPS) disse, ontem, em entrevista que não vai mexer em sua equipe neste momento porque, para ele, o “governo vai bem”. Ele nega que esteja enfrentando dificuldades de comando em áreas como a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) e o Departamento de Água e Esgoto (DAE).

Apesar da auto-avaliação positiva feita por Nilson, nos corredores do Palácio das Cerejeiras e em setores estratégicos das principais empresas municipais há descontentamento. Mas para Nilson Costa, as reclamações que ecoam fora do seu governo são apenas “desassossegos normais de uma administração”. Na entrevista, o prefeito reclama que a mídia não colabora com a divulgação de suas obras.

Jornal da Cidade - Existe desconforto operacional na Emdurb. Como o senhor vê a questão? Nilson Costa - Quero dizer o seguinte: desde que eu adotei um regime alimentar específico eu dispenso frituras. Não é do meu sistema político nem alimentar fritar o que quer que seja. Não consumo frituras e não vejo nenhuma procedência nessas especulações.

JC - Mas há uma situação de desconforto na Emdurb desde antes da eleição de 2000, pela dificuldade do Edmilson em estar presente todos os dias? Nilson - Em nenhum momento o Bil, diretor da Emdurb, pediu demissão por dificuldade de trabalho. Vocês (da imprensa) estão sabendo mais do que eu. Eu sei que há, vez por outra, algum desassossego, mas isso é normal na administração. Estamos em um processo muito importante para a cidade que é de remodelagem do sistema e implantação do passe integração. E a diretoria da Emdurb está conduzindo muito bem o assunto. Esperamos já no próximo mês as mudanças no sistema visando o equilíbrio operacional e o favorecimento dos passageiros. Não temos nenhuma queixa nesse assunto.

JC - E em relação ao DAE, como o senhor vê a gestão na autarquia? Nilson - Nós temos visto que o DAE vem atuando em todos os setores, agora mesmo junto ao governo federal, junto aos parlamentares amigos em Brasília, junto à CEF para buscar verba para o tratamento de esgoto e as demais prioridades do DAE. A autarquia vem anunciando seus projetos e atuando para encontrar recursos para podermos minimizar os problemas do DAE e conseguir realizar o tratamento de esgoto, a reforma da ETA. Nesse período de chuva intensa, a presidência do DAE sofre e isso vem em prejuízo dos órgãos mais ligados à área urbana, como Obras, Sear e DAE.

JC - Então, o senhor não vê problema de entrosamento no governo e nem problemas de gestão em cada um dos setores? Nilson - Acho que em uma administração você tem os setores e cada responsável tem um setor em cada pasta. O presidente do órgão responde pela diretriz geral, mas trabalha com equipes. A mesma coisa é com os secretários. A responsabilidade é do condutor, na linha de ação, na coordenação dos projetos. O quadro funcional é formado por responsáveis em áreas específicas.

JC - Que perspectiva o senhor coloca para a metade final deste mandato como chefe do Executivo? Nilson - Gostaria de ressaltar o seguinte. Dias atrás, eu coloquei todas as obras em emissora de rádio e são quase 50. Em nenhum tempo, a Prefeitura de Bauru realizou tanta coisa em pouco tempo. Agora, se isso não é apontado pela mídia são outros quinhentos. Mas estamos fazendo muito. Na Getúlio, estamos fazendo tubulação de galerias. Estamos autorizando duplicar a Getúlio em mais seis quarteirões. Na Comendador Martha estamos trabalhando para alargar a avenida e estamos providenciando as desapropriações para pavimentar a segunda pista. No canal da Nações Unidas tem 450 metros de canalização para inaugurar a rotatória. Vamos inaugurar a Jânio Quadros em 1.º de Agosto próximo. Temos galerias em outros bairros e cinco escolas em construção. Estamos atuando para consertar tudo o que foi prejudicado com a temporada de chuvas.

JC - A população está tendo visibilidade do quadro desenhado pelo senhor? Nilson - Em cada bairro favorecido a população está vendo que estamos trabalhando. Agora está faltando a divulgação global porque não há muito boa vontade da mídia em anunciar as obras.

JC - Mas o senhor não acha que a mídia divulga as obras do senhor quando elas ocorrem? Nilson - Se a mídia tem divulgado eu não vejo porque dizer que a administração não está correspondendo.

JC - Mas divulga quando é realizado, quando inaugura? Nilson - Temos escolas em construção, a renovação e reforma do Pronto-Socorro Central. Acho que dentro das limitações orçamentárias que enfrentamos, Bauru é uma cidade que vai muito bem em número de obras se comparada com outras cidades do mesmo porte.

JC - As obras são divulgadas. Então, a administração não tem convencido o bauruense sobre a gestão? Nilson - Se você lembrar que nós já fizemos quase 700 mil metros quadrados de asfalto nesses últimos oito meses e que tem mais 150 mil metros que nós autorizamos ontem, em aditamento aos contratos para abranger várias áreas da cidade, nós chegamos a quase um milhão. É bastante. Não me lembro como jornalista, em toda a história de Bauru, de um prefeito que tenha feito tanto em um ano.

JC - Então, a que o senhor reputa os focos de descontentamento popular? O senhor acha que a população está satisfeita com o governo? Nilson - Dentro das nossas limitações, acho que a cidade está em paz, as escolas funcionando, as merendas distribuídas, os medicamentos nunca faltando na área de saúde, as obras em andamento, o transporte coletivo com 110 veículos novos, a zona central da cidade disciplinada com o trabalho dos camelôs. Isso era uma bagunça total em Bauru. Implantamos a data-base do funcionalismo e estamos dando o terceiro reajuste da minha gestão. Muito poucos municípios deram reajuste para o servidor.

JC - Como o senhor recebe a repetição de reclamações dos moradores? Nilson - Neste período é normal no mundo inteiro. Você pega a temporada de chuvas nos outros lugares e as reclamações ocorrem. Aqui, graças a Deus, não tivemos desabamentos, mortes e inundações de grandes proporções neste ano. E a cidade está sendo reconstituída totalmente.

JC - O senhor não vai mudar nada na gestão? Nilson - No momento em que a gente sentir necessidade, no momento em que houver alguma composição política visando o período eleitoral futuro, isso pode ocorrer. Nesse momento não queremos falar em sucessão municipal. E não vamos mexer em uma equipe harmoniosa. As conversas sobre eleição na administração vão surgir após o segundo semestre. Mas já tem uma dúzia de candidatos a prefeito nas ruas desde já.

JC - O senhor descarta ser candidato em 2004 com essa auto-avaliação? Nilson - É o momento inadequado para pensar sobre eleição. Acho que estamos indo bem apesar das dificuldades, mas a aprovação pública não significa obrigatoriedade de eu ser candidato. Espero poder completar meu mandato com uma parcela ponderável da população avaliando positivamente o governo. Não posso analisar meu nome porque uma das hipóteses é saber se há ou não possibilidade de reeleição. E falar sobre isso agora pode atrapalhar as conversações políticas. A gente não esconde que deseja continuidade da filosofia desta administração.