08 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

Carnificina marca avanço dos marines

Por Sean Maguire e Luke Baker | Agência Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

Iraque - Manhã de terça-feira. Um comboio de marines dos Estados Unidos avança pela poeirenta cidade de Nassiriya, no Sul do Iraque, sob a proteção de helicópteros, tanques e artilharia. Minutos depois, já na rodovia que leva a Bagdá, os soldados vêem uma cena macabra: pelo menos 30 corpos carbonizados, espalhados pela estrada dentro das carcaças de ônibus, caminhões e carros.

São iraquianos aparentemente mortos em bombardeios norte-americanos. Horas antes, ao alvorecer, intensos combates no centro da cidade já haviam deixado pelo menos cinco iraquianos mortos.

Parentes dizem que dois deles eram irmãos, na faixa dos 40 anos - uma das vítimas era um taxista. Seus corpos estão sendo velados em dois quartos de uma casa que fica junto à rua principal.

Há marcas de balas nas paredes. Um dos cadáveres tem um grande ferimento no abdome. Lá fora, uma mulher chora junto a seu marido, que está ferido. Os marines tentam tratá-lo. Outros mortos iraquianos são deixados para trás na cidade.

Já na estrada, o capitão Joe Bevan disse que seus homens dispararam contra um grupo de cerca de dez iraquianos que pareciam usar o uniforme preto que identifica as forças irregulares de Saddam Hussein.

O grupo estava entrincheirado em um prédio, segundo Bevan. “Um cara tentou sair correndo entre dois prédios, mas foi atingido. Ele tentou engatinhar, mas não conseguiu. Posso ver o corpo na estrada a uns 300 ou 400 metros’, disse Bevan, conforme seu comboio avançava.

A cerca de 20 quilômetros de Nassiriya, as unidades da Primeira Divisão dos marines encontraram mais corpos na estrada. Jornalistas viram dois ônibus totalmente destruídos e alguns caminhões, também em destroços.

Os carros estão todos voltados para o Sul, o que indica que eles se dirigiam a Nassiriya, provavelmente para participar dos combates. “Havia um grande buraco na estrada, e um oficial (dos EUA) disse que aparentemente ela foi bombardeada do ar,’ disse um marine. “As explosões foram obviamente enormes. Vimos corpos desmembrados, cadáveres decapitados e membros espalhados pela estrada.”

Entre 25 a 30 homens, que aparentemente sobreviveram ao ataque, foram levados como prisioneiros. Vários estavam feridos. Mais uma vez, muitos deles usavam as fardas negras das milícias iraquianas.

A resistência que os norte-americanos enfrentam no Iraque preocupa os militares. ‘Achei que seriam só alguns dias (de guerra), mas parece que será bem mais’, afirmou a tenente de engenharia Jessica Newman, da 130a. Brigada. “Espero que isso não acabe como a Primeira ou a Segunda Guerra Mundial, que se estenderam por muito tempo.”

O tenente Mark Pietrak, do mesmo batalhão, também acha agora que a guerra será longa. “Especialmente se não eliminarmos esses bolsões de resistência. Leva tempo para neutralizar uma oposição de guerrilha, afirmou.

Reservadamente, um comandante de batalhão norte-americano acha que existe o risco de essa guerra se prolongar do mesmo modo como aconteceu no Vietnã. “Essa não é só uma outra Tempestade do Deserto (o nome da operação da Guerra do Golfo, em 1991). Pode se transformar em uma Danang (cidade vietnamita)”.