Iraque - Aviões ocidentais atacaram ontem unidades da Guarda Republicana que defendem Bagdá, enquanto uma coluna de blindados avançou lentamente, por causa de uma tempestade de areia, rumo à batalha decisiva pelo controle da capital iraquiana.
No Sul do Iraque, os marines dos EUA finalmente superaram a resistência iraquiana e conseguiram cruzar o rio Eufrates em Nassiriya. Mas eles encontraram uma nova emboscada ao Norte, apesar de um bombardeio aéreo que matou pelo menos 30 iraquianos que pareciam se preparar para o combate.
Na cidade de Basra, a segunda maior do país, havia indicações sobre um possível levante, segundo um militar britânico do Centro de Comando no Catar. “Há indicações recentes de que pode ter começado uma revolta e nós vamos ser muito perspicazes para capitalizar issoâ€, disse o major general britânico Peter Wall. Mas um ministro iraquiano negou a possível revolta.
No quartel-general norte-americano no Catar, fontes militares disseram que pára-quedistas controlaram, durante a noite, uma pista de pouso deserta. Seis equipamentos que “confundem†os sistemas de orientação por satélite dos EUA teriam sido destruídos.
No extremo Sul, os comandantes das tropas anglo-americanas disseram que conseguiram eliminar a resistência dos franco-atiradores iraquianos na cidade portuária de Umm Qasr, que agora está pronta para receber ajuda humanitária.
Apesar desses anúncios, os britânicos e norte-americanos dizem que não se deve esperar um final rápido para a guerra. “Acho que a luta mais dura ainda está pela frenteâ€, disse o chefe do Estado-Maior dos EUA, general Richard Meyers, referindo-se ao cerco de Bagdá.
A defesa antiaérea instalada pelo regime iraquiano nos arredores da capital voltou a ser bombardeada. “Foi um ataque realmente pesadoâ€, disse o correspondente da Reuters, Nadim Ladkin. “Mesmo sendo distantes, as explosões estão chacoalhando os prédios no centro da cidade.â€
Em Londres, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, anunciou que as tropas ocidentais estão atacando a Divisão Medina do Exército iraquiano, que defende Bagdá. Blair disse que o mau tempo deve dificultar essa operação, mas afirmou que, nos seis primeiros dias do conflito armado, “muita coisa já foi conseguidaâ€.
O general norte-americano Victor Renuart disse que os ocidentais fariam 1.400 ataques aéreos ontem, mas confirmou que o mau tempo está prejudicando as operações. ‘Há ventos fortes, alguma chuva, alguns trovões, e isso ocorre em todo o país, de modo que não foi um dia muito confortável no campo de batalha.’
Correspondentes que acompanham a operação disseram que a tempestade de areia diminuiu a visibilidade a cinco metros em alguns pontos, o que obrigou a várias paralisações no comboio que se dirige a Bagdá.
De acordo com o governo iraquiano, os ataques mataram 16 iraquianos e feriram 95 nas últimas 24 horas. O ministro da Informação, Mohammed Saeed Al Sahaf, disse que as tropas de seu país mataram oito soldados invasores.
Segundo a imprensa norte-americana, o governo iraquiano traçou uma ‘linha vermelha’ ao redor de Bagdá, dentro da qual seriam usadas armas químicas contra as tropas de invasão. O Pentágono não confirmou essa suspeita.
O governo iraquiano nega ter armas de destruição em massa. Até ontem, a resistência iraquiana vinha sendo mais forte do que imaginavam os estrategistas do Pentágono. “Seu sonho de uma guerra curta e fácil começou a evaporar, e sua esperança de derrotar o povo iraquiano está sendo destruídaâ€, disse um porta-voz militar em Bagdá.
Saddam conta com a reação popular para resistir ao ataque e pediu aos líderes tribais do país que entrem na guerra. “O inimigo violou nossas terras e agora está violando nossas tribos e famíliasâ€, disse o presidente em um comunicado lido por um locutor na TV estatal.
Os EUA conseguiram cruzar o rio Eufrates e com isso abriram caminho rumo a Bagdá, mas enfrentaram novos problemas. “Estamos sofrendo uma emboscada bem agoraâ€, disse Lew Craparotta, comandante do Terceiro Batalhão do Primeiro Regimento de Infantaria dos marines, que seguia por uma estrada ao norte de Nassiriya. Também, foi visto um comboio percorrer as ruas de Nassiriya sob proteção de um corredor de blindados, antes de deixar a cidade e suas duas pontes estratégicas para trás.
Os marines usaram helicópteros, tanques e artilharia contra os iraquianos, que durante três dias ofereceram resistência. Os EUA disseram que tinham intenção de atingir alvos na cidade, mas não de sitiá-la. Segundo redes de tevês britânicas, havia informações sobre um levante popular em Basra - segunda maior cidade do Iraque e um reduto de muçulmanos xiitas.
O ministro da Informação iraquiano, Mohammed Saeed al-Sahaf, negou à televisão árabe Al Jazeera informações de que oponentes do presidente Saddam Hussein tenham feito uma revolta na cidade de Basra. “Eu quero dizer a vocês que Basra continua a se manter firmeâ€, disse o ministro à tevê.
No terreno político, o primeiro-ministro Blair disse que deve visitar o presidente norte-americano, George W. Bush, hoje. Será o primeiro encontro entre ambos desde o início da guerra. Amanhã, Blair se reúne com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.