09 de julho de 2026
Articulistas

Amigos para sempre!


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Acreditava-se que nenhum país deixasse de se preocupar com a guerra que Estados Unidos e Iraque vinham projetando atrás de seus muros. Não se podia esperar porque um conflito bélico entre as duas principais potências econômicas prometia ramificações capazes de ganhar foros mundiais, o que seria muita coisa catastrófica para a totalidade das populações disseminadas regiões afora, as quais poderiam então desabar em tudo, principalmente fome e saúde. Mas aí está a conflagração preocupando e martirizando realmente todos quantos a observam mesmo à distância. A esta altura dos acontecimentos, mal deflagrada por algumas poucas “civilizações”, ela já sacrifica todas as congêneres face à ameaça de se estender aos demais e até agora pacíficos horizontes, levando-os no caso a pensarem na eventualidade de terem de usar também seus homens, armamentos e respectivas munições para defenderem seus patrimônios e, logicamente, suas reservas humanas. Falava-se ardentemente na paz, que não poderia vir a se transformar em guerra sob nenhum pretexto. Procurava-se, com isso, demover os espíritos de suas intenções beligerantes, lembrando-os dos castigos, sem dúvida penosos, que a guerra anterior pespegou a milhões de seres e arrastou para a destruição absurda centenas de cidades. Dizia-se “como não falar de paz” se ela era, como ainda o é, o anseio da maioria dos povos? Dela se falava, categoricamente, mas sem forças bastantes para dar o resultado ideal, haja vista que numerosíssimos contingentes humanos acabaram sendo colocados nos campos de batalha, nos sofisticados mísseis, nos moderníssimos aviões, nos pesadíssimos tanques e nos velocíssimos navios e submarinos e aí estão se empenhando no velho Iraque, pondo suas vidas à disposição dos projéteis que quando não matam inutilizam. Quanto vai demorar a desenfreada carnificina? Como falar novamente de paz a quem não tem ouvidos para ouvir e consciência para se comedir? Então, defrontam-se com interrogações praticamente irrespondíveis num quadro em que estão estereotipados motivos só justificáveis pelo refrão divino, pois quando se trata de amar os semelhantes nunca se pode considerar já ter feito o bastante, urgindo sejam todos levados à mansidão até o ponto de oferecerem a outra face. Logicamente, para falar teriam os violentos que ouvir a voz da razão e, então, perdoar suas divergências sociais, políticas e econômicas e partir para a sensatez. A hora é oportuníssima para os poderosos e déspotas atentarem para o Sermão da Montanha, onde prega: “Ama ao teu inimigo e reza pelo que te persegue; se alguém te bate numa face, oferece a outra!” E... amigos para sempre! (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)