08 de julho de 2026
Articulistas

Autofagia


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Parte da humanidade, na qual me incluo, ficou revoltada com a determinação com que o presidente Bush atacou o Iraque, a despeito das manifestações em contrário pedindo paz. Há a impressão que o ato foi de insanidade e na razão inversa das características da espécie humana.

Na verdade, presenciamos diariamente atos de exercício de exacerbação de poder humano, sem que nos espantemos com isso. O trânsito violento nas grandes cidades é a mais pura demonstração deste exemplo. Na mão do fraco, o veículo é a arma que o transforma, supostamente, em forte e ele ataca outras vidas com seu brinquedo. Raramente é punido por tal ato, já que a maioria das pessoas o cometem.

A conquista de um povo por outro, motivada por expansão territorial, necessidade de utilização de bem natural, ou qualquer outro motivo teoricamente plausível, não deixa de trazer em seu bojo o componente infantil de exercício de poder do fraco sobre outro de sua espécie, na mesma proporção. Compensa-se a fragilidade que se sente com demonstração de poder e conquista, usurpando direitos, ou mesmo no mero exercício, legal ou não, de aquisição de bens acima das necessidades mínimas de sobrevivência. Esta é a base da sociedade capitalista, onde ter é mais importante que tudo. É o sentido autofágico de viver!

Ao longo da história, tivemos inúmeros exemplos de atos de conquista e que mantiveram as relações humanas dentro da base de exploração do homem pelo próprio homem, não importando o tipo de sociedade existente, já que a característica da espécie é o que importa.

Gêngis Khan, o terrível mongol, levou sua conquista, com toda barbárie possível, de Khanbaligh, atualmente Pequim, até as margens do rio Tigre, na cidade hoje conhecida como Bagdá, no Iraque. Alexandre, O Grande, um dos mais célebres conquistadores do mundo antigo, nasceu na Macedônia e levou suas conquistas desde Pella até próximo à Índia, passando pelo mesmo rio Tigre. Conquistando, também, o Iraque. Com isso se constata que o presidente americano não foi o primeiro a conquistar aquele país.

Por mais evoluídos que pensamos ser, somos a única espécie que aprisiona seu semelhante e que pratica infanticídio, no exercício da afetação de um sentimento louvável que jamais tivemos. Hipocrisia e dissimulação são nossas características básicas. Talvez, por ser, também, a única espécie que sabe que vai morrer. Em razão disso, valoriza-se a fantasia em detrimento da realidade.

A grande questão no sentido da evolução humana, é a sobrevivência da espécie dentro de parâmetros de ética e respeito aos semelhantes e às outras espécies que habitam o mesmo planeta, sem necessidade de utilização de penalidades por descumprimento às regras de convivência, tais como cerceamento da liberdade, ou outra qualquer. A grande utopia, talvez seja não macular o respeito à convivência pacífica. Mas sim, viver em paz, pela simples razão de viver! Até o momento, a espécie humana ainda não provou que deu certo no planeta em que vive, a despeito de todas as explicações e credos existentes. (O autor, Douglas Mondo, é fundador, ex-presidente e atual vice-presidente do Conselho de Segurança de Jundiaí, - e-mail veritas@kyotec.com.br e veritasdouglas@uol.com.br)