10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Dia Internacional de Eliminação da Discriminação Racial


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O Dia Internacional de Eliminação da Discriminação Racial foi celebrado no último dia 21 de março. Ser cidadão também é combater o racismo, pois se irradiarmos os nossos mais nobres sentimentos a todas as pessoas sem distinção de qualquer espécie certamente viveremos juntos, não somente um amanhã mais gratificante mas toda uma vida. Assim, faz-se mister a criação e efetiva implementação de políticas de inclusão social e de reparações que também incorporem um conjunto de ações afirmativas. A existência de ações afirmativas e políticas públicas consistentes podem minimizar parte da dívida que todos nós temos para com esta parcela significativa do povo brasileiro, que não pode nem deve aceitar que tenham seus direitos e garantias constitucionalmente expressos, bem como os seus direitos econômicos, sociais e culturais vilipendiados.

O Governo Brasileiro tem feito um esforço ao tentar implementar trabalhos de combate ao racismo no país, juntamente com diversos grupos de defesa dos direitos da população negra e a sociedade civil. O governo começou a colocar em prática alguns dos compromissos assumidos durante a Conferência Mundial das Nações Unidas contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e a Intolerância Correlata realizada em Durban, África do Sul, em 200; exemplos disso são as cotas de vagas para negros em universidades, as Bolsas-Prêmio de Vocação para a Diplomacia e percentual de vagas as serem preenchidas por negros no serviço público federal. Contudo, a população negra sendo parte de quase metade da população brasileira ainda são excluídos do acesso ao ensino superior, ao mercado de trabalho, às vezes até mesmo excluídos de exercerem sua cidadania. Essas medidas governamentais são apenas o início de um longo caminho a ser trilhado em prol do reconhecimento e da correção das distorções causadas pelo preconceito racial.

O reconhecimento mundial, e especialmente pelo Brasil, da imensa dívida que se impôs impiedosamente através dos séculos, perpetuando com as diversas injustiças praticadas contra o povo negro, impõe aos governantes e à sociedade civil organizada e à todos os cidadãos do mundo o dever de elaborar, de exigir e implementar medidas corretivas em favor de um melhor equilíbrio social.

A Fé Bahá’í apóia essas e outras atividades de combate ao racismo e a favor dos direitos humanos. Os ensinamentos bahá’ís destacam que “A terra é um só país e os seres humanos seus cidadãos” e tem como princípios a crença na unidade da humanidade e unidade na diversidade. Assim a Comunidade Bahá’í do Brasil, acreditando ser o racismo um dos males mais horrendos e um grande obstáculo no caminho da paz, procura participar ativamente nas ações que visam estabelecer o equilíbrio social e democrático nas questões de direitos humanos no país. Pode-se destacar o seu envolvimento ativo nos trabalhos da Conferência Mundial das Nações Unidas contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e a Intolerância Correlata em Durban; a criação do Instituto para a Cura do Racismo – ICR, uma organização do terceiro setor, sem fins lucrativos, dedicada à cura e prevenção do racismo no nível individual e coletivo, sediada em São Paulo; a promoção de inúmeros seminários e conferências voltadas à educação para os Direitos Humanos e a realização de Encontros Bahá’ís de Afro-descendentes. (Sidarta de Souza Saraiva – Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Brasília e Assessora da Secretaria Nacional para Assuntos Externos da Comunidade Bahá’í do Brasil)