09 de julho de 2026
Política

Verba dobrada atrai desconfianças

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O anúncio de que a Secretaria Municipal de Obras terá a sua verba dobrada para o ano que vem chamou a atenção de alguns vereadores da oposição. Há desconfianças de que o prefeito Nilson Costa (PPS) planejou o reforço financeiro da secretaria - estratégica, na análise dos parlamentares - para capitalizar vantagens na eleição municipal do ano que vem.

O titular da pasta, engenheiro Antonio Carlos Duarte, informou anteontem, durante audiência pública para discutir a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2004, que sua secretaria terá R$ 20 milhões para gastar em obras de infra-estrutura, dos quais R$ 9 milhões em pavimentação asfáltica. Para este ano, a verba da pasta está estimada em R$ 10,5 milhões.

“O fato do prefeito ter dobrado o valor da verba para a Secretaria de Obras é no mínimo estranho”, avalia o vereador José Clemente Rezende (PSB). Para ele, há indícios de que a administração pretende se beneficiar do reforço para atrair a atenção do eleitorado.

“Faço a mesma avaliação do que ocorreu no ano passado, quando tivemos eleições para a Assembléia Legislativa e para a Câmara dos Deputados”, expõe.

O parlamentar lembra que em 2002 o governo municipal também promoveu “uma gastança” com obras de recape e pavimentação asfáltica. “Tudo isso é para se jogar uma cortina de fumaça na péssima administração que está sendo feita. 2004 é um ano político. Por que esse dinheiro não está sendo gasto neste ano, agora?”, questiona.

Na avaliação dele, os objetivos desse comportamento político começam a clarear. “Não se deve esperar 2004 para promover uma recuperação na cidade. Essa situação cria uma interrogação: será que é uma estratégia para a campanha política do ano que vem?”, pergunta.

Se Clemente ainda tem dúvidas sobre o assunto, o mesmo não ocorre com o vereador João Parreira (PSDB). “Eu não tenho a menor dúvida de que o prefeito Nilson Costa priorizou segurar o dinheiro arrecadado para gastar nos últimos 18 meses de sua administração”, afirma.

Para o tucano, a cidade deve mesmo se transformar num “canteiro de obras” em 2004, ano que serão realizadas as eleições municipais para a sucessão do prefeito. “O Nilson ainda deve ter esperanças de que terá condições de disputar mais uma eleição”, acredita.

O parlamentar analisa que não é normal um prefeito deixar a sua cidade “ao Deus dará”. “Por mais escassez de verbas que Bauru tenha, o município sempre teve dinheiro suficiente para fazer o básico. Não há dúvida de que a administração vai transformar o canteiro de obras em mote de campanha”, prevê.

Já o vereador Faria Neto (PDT) torce para que o prefeito gaste mesmo o dinheiro em pavimentação asfáltica, recape e obras de infra-estrutura. “Eu espero que o Nilson faça mesmo tudo isso que está previsto na LDO, mesmo em ano de eleição”, diz.

O pedetista defende a tese de que a população está consciente e dificilmente cairá em armadilhas eleitorais. “O povo não é mais bobo a ponto de se deixar enganar. O eleitor sabe em quem vai votar. E não será uma obra de pavimentação asfáltica que o fará decidir sobre seu candidato.”

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‘Discurso vazio’

Para o chefe de Gabinete da Prefeitura, Antonio Sérgio Marsola, a manifestação dos vereadores da oposição nada mais é do que “discurso vazio”. “A obrigação da administração municipal é atender a demanda da população”, defende.

Ele diz que não procede a afirmação de que a prefeitura não priorizou obras de pavimentação asfáltica para este ano. “Já estamos recapeando e asfaltando os itinerários dos ônibus coletivos. Estamos planejando empreitadas de asfalto novo. Nossa intenção, com isso, não é fazer política”, garante.

Marsola entende que se a implementação de obras estivesse voltada para o campo da campanha política, então construir escolas, creches, postos de saúde e galerias deveria ser entendido como “fazer média com a população”.

“Essa crítica está fora de propósito. Um dos objetivos da administração é atender a demanda de infra-estrutura viária da cidade. Só neste ano, este governo recapeou muito mais do que muitas administrações anteriores.”