11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Taxistas pedem reajuste menor para não diminuir a clientela

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A tarifa de táxi em Bauru deve aumentar em breve. A bandeirada pode passar de R$ 3,00 (valor atual) para R$ 4,00. Porém, o índice do reajuste deve ficar abaixo do apurado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) com base na planilha de custos, porque os taxistas estão com receio de perder clientes.

O estudo da Emdurb propôs R$ 4,47 para a bandeirada e valores também mais altos que os sugeridos pelo sindicato da categoria para o quilômetro rodado durante o dia e à noite (veja no quadro). “O movimento já está fraco. Por isso, não podemos aumentar muito os valores”, explica Waldir Faria Freitas, presidente do Sindicato dos Taxistas, Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bauru e Região.

O único reajuste proposto pela Emdurb, cujo índice é inferior ao solicitado pelos taxistas, é da hora parada. Com base na planilha, a Emdurb sugere que a hora parada, que hoje custa R$ 8,00, passe para R$ 8,63, enquanto os taxistas pedem R$ 10,00. Bauru tem 200 veículos de táxi em 42 pontos.

Caberá ao prefeito Nilson Costa definir quais dos dois valores recomendados para cada item serão adotados. “Nós fizemos os cálculos com base na planilha de custo, que leva em consideração, além de combustível, manutenção do veículo e outros insumos, salário, encargos trabalhistas e depreciação do veículo. Mas estamos recomendando ao prefeito que ele adote os menores valores”, frisa Waldomiro Fantini Júnior, diretor de transportes da Emdurb.

Freitas reclama que a categoria tem sofrido com os sucessivos aumentos dos combustíveis e que foi obrigada a reduzir a margem de lucro. “Se aumentarmos o valor do quilômetro rodado em mais que 20% vamos sacrificar os usuários, que poderão deixar de andar de táxi. Mas o ideal, para corrigir as perdas desses dois anos sem aumento, seria um reajuste de, no mínimo, 30%”, afirma Freitas.

Ele afirma que a bandeira 1, que custa R$ 1,25, já deveria ser de R$ 1,60. “O ideal seria R$ 1,60, mas optamos por R$ 1,25 para manter o movimento”, conta. O taxista Rubens Antonio Fernandes, 56 anos, que atua na profissão há 23 anos, concorda com Freitas e diz que o reajuste não pode ser muito alto.

“Temos que avaliar o lado do passageiro. Tem cliente que pode pagar e outros que já têm dificuldade de pagar o valor praticado hoje. Apesar de a gente estar sendo bombardeado por aumentos, a tarifa do táxi não pode subir muito para não haver debandada de clientes para mototáxi e ônibus”, explica.

Trabalhando em um ponto novo, na quadra 13 da rua Hermínio Pinto, o taxista reclama que seu ganho mensal está baixo. “Houve época de vacas gordas, mas agora é muito, mas muito difícil, a gente tirar R$ 1,5 mil bruto por mês. E mais de 50% é de custos”, diz.

Antonio Freitas, 44 anos, que também tem ponto na quadra 13 da rua Hermínio Pinto, concorda com o colega e com o presidente do sindicato. “Não podemos aumentar o valor necessário para não perder usuários. O problema de Bauru é que o combustível aqui é mais caro que em outras cidades”, reclama.

Há 24 anos na profissão, Freitas diz que atualmente ganha no máximo R$ 700,00 por mês. “O combustível leva quase todo o nosso lucro. Eu passei meu carro para álcool, mas o preço disparou e agora está quase igual ao da gasolina. E se não cativar o cliente, a gente acaba perdendo, porque tem mototáxi e três empresas de ônibus”, analisa.

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Conselho

O Conselho dos Usuários do Transporte Coletivo de Bauru vai analisar o pedido de reajuste da tarifa do setor de táxi no próximo dia 4. Rubens Souza, presidente do órgão, explica que é preciso analisar os índices de reajuste propostos pelos taxistas e pela Emdurb.

Ele ressalta que o conselho é consultivo - não tem poder de veto -, mas dará seu parecer ao prefeito Nilson Costa antes dele definir o reajuste. “Vamos nos reunir e analisar duas propostas e escolher, por votação, a que acharmos melhor”, afirma. A reunião será às 18h30 do próximo dia 4, na Emdurb.