10 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

Premiê da Inglaterra diz não ter informações sobre Saddam

Agência Folha
| Tempo de leitura: 3 min

Londres - O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, afirmou ontem não saber se o presidente do Iraque Saddam Hussein está em bom estado de saúde, ferido ou morto. “Não sabemos qual a situação em relação a Saddam. Sabemos que eles (iraquianos) gravaram todos os tipos de vídeos para mostrar sobre ele”, disse Blair à rede britânica BBC.

Blair afirmou também que as tropas norte-americanas e britânicas terão “momentos duros e difíceis’ no Iraque. “Sempre soube que era provável encontrar momentos duros e difíceis e gostaria de destacar que estamos (em guerra) há uma semana e que já cumprimos muitas coisas”, relatou o premiê durante a entrevista.

O premiê também afirmou haver “ligações reais’ entre grupos terroristas e Estados que produzem armas de destruição em massa. “Mas você não vai derrubar Saddam do país facilmente quando ele está no poder há 20 anos”, acrescentou.

Falando após reunir-se em Washington com o presidente norte-americano George W. Bush e com o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, em Nova York, Blair afirmou: “O futuro do povo iraquiano deve ser governado pelo povo iraquiano. Agora o que precisamos fazer é garantir que tenhamos um sistema de governo representativo, e precisamos trabalhar sobre isso com a ONU”, disse Blair.

Ameaça

O primeiro-ministro sugeriu que seus compatriotas não reconheceram a ameaça à sua segurança desde os ataques de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos. “Creio que exista uma nova ameaça de segurança e acredito que ainda não abrimos nossos olhos para ela”.

Blair discutiu com Annan aspectos relacionados à ajuda humanitária para as vítimas da guerra no Iraque. Blair e Annan falaram sobre a retomada do programa “petróleo por comida’ para o Iraque e o papel das Nações Unidas no pós-guerra iraquiano.

O programa “petróleo por comida” que será reativado deve permitir uma resposta rápida ao problema da alimentação do povo iraquiano e a ajuda humanitária deve seguir diretamente ao esforço de liberação do Iraque, disse um funcionário britânico do primeiro escalão.

Desmentido

A irmã de um soldado britânico morto desmentiu ontem que ele tenha sido executado pelos iraquianos, como havia afirmado pouco antes o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, informou o jornal britânico “Daily Mirror’.

“Não entendemos porque eles mentem sobre o que aconteceu. Isso é um erro. É importante para nós saber a verdade, o que realmente aconteceu”, declarou ao jornal Nina Allsopp, a irmã de Luke Allsopp, um dos militares mortos.

Luke Allsopp, um soldado do corpo de engenheiros, foi dado como desaparecido domingo, mesmo dia em que outro militar britânico, quando foram atingidos por fogo inimigo perto de Al Zubeir, não muito longe da cidade de Basra (sul do Iraque).

Segundo ela, os chefes de seu irmão disseram à família que ele morreu na hora, durante combate. Anteontem, em uma entrevista à rede de televisão Abu Dhabi, o ministro iraquiano da Informação, Mohammad Saeed Al Sahaf, disse que Blair “mentiu ao público”. “Nós não executamos ninguém”, afirmou.

O premiê britânico acusou o governo iraquiano durante um discurso, feito após uma reunião com o presidente norte-americano, George W. Bush. “Se qualquer pessoa precisasse que mais evidências da depravação do regime de Saddam, essa atrocidade as fornece”, disse Blair.