09 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

Conflito traumatizará 500 mil crianças

Por Karen Iley | Agência Reuters
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Genebra - Pelo menos meio milhão de crianças iraquianas podem sofrer graves traumas com a guerra e necessitar de auxílio psicológico, disse ontem o Unicef, órgão da ONU para a infância. “Suspeito que cerca de 500 mil crianças em Basra, Najaf, Kerbala e Bagdá possam precisar de reabilitação psico-social quando voltarmos”, informou Carel de Rooy, representante do Unicef no Iraque.

Ele estava se referindo às cidades que, até agora, sofreram os bombardeios mais pesados do conflito, que começou há oito dias. “Há 5,7 milhões de crianças em idade de freqüentar a escola primária no Iraque. Pelo menos 10% delas vão precisar de apoio, mas o número pode ser bem maior”, afirmou.

O Unicef não tem estudos sobre os efeitos potenciais dos bombardeios sobre as crianças, mas De Rooy contou que um menino de 9 anos, filho de um funcionário local do órgão em Bagdá, teve de ser sedado depois que as janelas de sua casa foram destruídas em um ataque.

“Esse é um exemplo. Não sabemos o que vamos encontrar quando voltarmos. Suspeitamos que haja um sério problema com crianças traumatizadas”, afirmou.

A ONU retirou todos os seus funcionários estrangeiros do Iraque pouco antes do começo da guerra. A Organização Mundial de Saúde (OMS) também já alertou para os efeitos psicológicos dos bombardeios sobre as crianças, os mais velhos e os deficientes físicos e mentais.

A OMS teme ainda que os ataques impeçam o acesso da população a hospitais e ambulatórios. Até agora, porém, não há notícias de epidemias ou falta de remédios no Iraque. Segundo De Rooy, o Unicef tem instrumentos para lidar com crianças traumatizadas, pois essa situação já ocorreu em lugares que sofreram guerras, como Timor Leste e Moçambique, ou desastres naturais.

Nesses casos, o Unicef treina adolescentes para organizar jogos, rigidamente controlados, que incentivam a socialização e a escolarização dos mais novos. A maioria das crianças afetadas se recupera após duas ou três sessões, mas, segundo De Rooy, 1% delas costuma precisar de atenção psicológica individualizada.

“Isso custa cerca de US$ 20 por criança. Se conseguirmos os recursos podemos trazer as pessoas que já fizeram o trabalho em outros lugares e reproduzi-lo no Iraque em larga escala”, afirmou.