11 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

Previsões da imprensa já são menos otimistas para acordo

Agência Folha
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Londres - Parte da mídia acordou e percebeu que não era a tempestade de areia, mas a resistência dos iraquianos, que retardava o cerco anglo-americano a Bagdá. Ainda na quinta-feira o secretário norte-americano da Defesa, Donald Rumsfeld, afirmava-se “impressionado” com o avanço de suas tropas. Era uma postura otimista.

O almirante britânico Michael Boyce, com rumo idêntico, dizia que a investida só dependia da melhora do tempo. Ontem, no entanto, entrevistado pelo “The New York Times”, o general americano William Wallace, comandante das forças terrestres, disse de modo eufêmico que “o inimigo está lutando de um jeito diferente do das nossas simulações”.

Citou como componente de surpresa a agressividade das forças paramilitares. Com uma abordagem mais direta, o site da BBC disse que está em questão a doutrina Rumsfeld elaborada para a guerra.

Segundo ela, uma força-tarefa relativamente reduzida, mas com ampla superioridade tecnológica, levaria ao colapso militar do inimigo e estimularia o levantamento da população contra Saddam Hussein.

Era também o que pensava o vice-presidente Dick Cheney, homem bastante influente no círculo do poder norte-americano. A guerra, disse ele há dias, seria “relativamente breve”. Ari Fleischer, porta-voz da Casa Branca, recuava ontem do otimismo moderado que manifestou nos primeiros dias de combate.

Na quinta, o “The New York Times” já dizia que não se confirmava a previsão oficial de que os iraquianos estavam desmotivados para guerrear e a população civil receberia as forças anglo-americanas “com flores”.

“Meus superiores disseram que haveria pouca ou nenhuma resistência”, disse o cabo norte-americano Joshua Menard, ferido e já transferido para uma base norte-americana na Alemanha.

Ainda entre os ingredientes da guerra da informação: o presidente George W. Bush disse anteontem em Camp David que “a coalizão que agora reunimos é maior que a que tínhamos em 1991, em termos de número de países participantes.” Vejamos. Na Guerra do Golfo, eram 28 os países que se juntaram contra o Iraque, entre eles Síria, França, Alemanha e até Argentina.

Praticamente todos tinham condições de entrar em combate. Vizinhos árabes do Iraque deram bom suporte logístico. Agora, segundo reportagem quase irônica de terça-feira no “The Washington Post”, alguns dos aliados não têm sequer forças militares, como Palau, Costa Rica, Islândia, Ilhas Marshall e Micronésia.

Entre os quase 50 apoiadores nominais da iniciativa anglo-americana há o Marrocos, monarquia árabe que não mandou soldados, mas ofereceu 2 mil macacos para testarem a existência de minas enterradas.