O último trecho natural do rio Paranapanema, situado dentro da zona urbana de Piraju (141 quilômetros a Sudeste de Bauru), corre o risco de perder suas características originais e espécies nativas de peixes. Dos seus 929 quilômetros de extensão, restaram apenas sete de água corrente e corredeiras não afetados pelas inundações resultantes de sucessivas construções hidrelétricas. Por enquanto.
Há pouco mais de seis meses, a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), empresa do Grupo Votorantim, deixou vazar sua intenção de construir uma nova usina - já pré-batizada de Piraju 2 - justamente no trecho em questão. A notícia ganhou notoriedade e polêmica pouco antes de a empresa concluir a hidrelétrica Piraju, em setembro do ano passado, e provocar a inundação de 36 quilômetros de rio acima.
Ainda no município, estão instaladas as usinas de Jurumirim, pertencente à Duke Energy International e ativa desde 1962, e a Paranapanema, também do Grupo Votorantim, construída em 1919. Outras sete hidrelétricas sugam o potencial energético do Paranapanema.
A possibilidade de sediar o quarto empreendimento hidrelétrico vem abalando os pirajuenses, principalmente os amantes da natureza e dos esportes náuticos e os investidores que apostam no trecho de corredeira para incrementar o turismo receptivo da cidade, elevada à condição de estância turística em meados do ano passado.
Quem aprecia o trecho natural do rio jura que os eventuais benefícios advindos do pretendido empreendimento não compensam o impacto ecológico.
“Teremos mais um ‘lagão’ na cidade, perderemos nosso parque natural e o principal patrimônio histórico-cultural, que é o Salto do Piraju, último ponto que várias espécies de peixes raros e ameaçados de extinção, como o dourado, surubim, tabarana e piracanjuba, ainda têm para a reprodução naturalâ€, enumera João Kleber de Oliveira Dealis, presidente da organização ambiental Teyquê-Pê.
Dealis, que também tem interesse comercial em explorar o turismo no local, agrava que os últimos saltos e corredeiras do rio se fundem num diferencial estratégico para a consolidação de práticas esportivas de aventura como o rafting, a canoagem e a pesca esportiva. “Diante dos prejuízos que a cidade pode vir a sofrer, qualquer contrapartida do empreendedor será inexpressivaâ€, sentencia.