09 de julho de 2026
Cultura

Amante da poesia

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

O dicionário Aurélio define o verbo declamar como o ato de recitar em voz alta, com gestos e entonações apropriadas. Para o engenheiro Carlos Iunes a palavra significa muito mais que isso. Declamador desde a adolescência, Iunes, que atualmente ministra aulas de matemática financeira nos cursos que promove, é um apaixonado por poesia. “É preciso amá-la para poder declamar”, diz.

O gosto pela prática o levou a criar com alguns amigos, há cerca de um ano e meio, o grupo Gota de Esperança, que realiza apresentações de música e poesia gratuitamente em escolas, igrejas e instituições. “Decidimos criar o grupo por uma birra nossa. Muita gente diz que os jovens não se interessam por música de qualidade, por poesia. A gente quer mostrar que eles se interessam sim, basta mostrar o que é, dar a chance deles conhecerem”, explica.

Enquanto Iunes, um carioca que mora em Bauru há 26 anos, se encarrega de fazer as declamações, os músicos Badê, Tarzan e Justino fazem a parte musical das apresentações, interpretando um repertório formado basicamente por músicas brasileiras da MPB.

Outros apreciadores da poesia também participam das apresentações do Gota de Esperança declamando poemas. “O Munir Zalaf é o mais assíduo”, lembra Iunes.

Os eventos do grupo são, geralmente, divididos para que todos se apresentem individualmente e depois em conjunto, numa combinação de interpretações. Existem também homenagens.

Como as apresentações são gratuitas, empresas dos bairros ou cidades onde o Gota de Esperança está patrocinam o evento. “Atualmente temos feito apresentações nos bairros e nos preocupamos em valorizar aquele lugar onde estamos e aquelas pessoas que estão lá”, afirma Iunes.

Interpretação

Apesar de ter surgido como uma maneira de levar cultura para os mais jovens, as apresentações do Gota de Esperança têm atingido e emocionado os mais diversos públicos. Emoção, aliás, é o elemento fundamental na declamação. “É uma técnica de interpretação diferente, que não tem nada a ver com o que é feito no teatro, no cinema ou na televisão. É preciso sentir a poesia e saber transmiti-la para quem está ouvindo”, revela Iunes.

Dono de um estilo próprio, o declamador já fez muitas pessoas chorarem com as suas palavras. “Já interpretei poemas tristes e no final estava chorando. As pessoas que estão ouvindo se emocionam também e choram, isso é comum”, lembra.

Iunes também escreve poemas e contos, mas nas apresentações públicas prefere só declamar obras de outros autores. “Não tenho favoritos”, adianta. Mas em seu repertório básico não faltam nomes como Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Álvares de Azevedo e Guilherme de Almeida. Até letras de músicas eventualmente são aproveitadas.

“Não declamo obras minhas porque o objetivo é despertar o interesse das pessoas pela poesia e é melhor que elas sejam de autores conhecidos”, explica Iunes, que não segue uma escola ou um tema específico quando escreve. “Vou do parnasiano ao modernismo, depende do dia”.

Para o professor, as escolas deveriam incentivar mais os alunos a se interessarem por poesia e por música de qualidade. “O jovem não é burro, ele só precisa ser conduzido, ensinado. Nós já fizemos várias apresentações em escolas e comprovamos que o jovem gosta dessas artes, se interessa”, declara.

O nome do grupo encabeçado por Iunes surgiu da esperança de que um dia mais e mais pessoas voltem sua atenção para a poesia e para a música. “Somos essa gotinha de esperança”, diz.