Felizmente, hoje a ciência nos oferece várias formas para que algumas correções sejam feitas em nosso corpo. Tem gente que até faz cirurgia plástica para ficar mais bonita. Mas o assunto desta edição é falar de correções que podem ser feitas ainda na infância e na adolescência para evitar intervenções cirúrgicas no futuro.
São aqueles chatos e indesejados aparelhos corretivos, que nem sempre ficam bonitos em nosso corpo, mas que são fundamentais para deixar a gente bonita para sempre.
Os aparelhos ortodônticos e os óculos são os mais comuns e talvez os seus usuários sejam aqueles que mais sofrem com as piadinhas e preconceito dos colegas. São comentários de mau gosto, que muitas vezes chateiam e podem até dificultar o tratamento.
Mesmo tendo que enfrentar os comentários da turma, crianças e adolescentes enfrentam com muito bom humor a “fase do aparelho” e dão dicas para aqueles que ainda não experimentaram.
A Júlia Ticianelli tem 9 anos e é um exemplo muito legal. Recentemente, ela foi informada por seu médico que deveria usar um aparelho para corrigir seus joelhos em “xis”. Sem constrangimento, ela encarou o desafio, pois sabe da sua importância. “Se eu não usar o aparelho agora, no futuro será necessário fazer uma cirurgia. A correção com aparelho só é possível até os 12 anos”, explica Júlia.
Ela conta que usa o aparelho quando fica deitada por muito tempo, assistindo TV ou lendo um livro, e quando vai dormir. Isso será necessário, fala Júlia, por mais ou menos um ano e meio. “Acho que não terei problemas. O aparelho é leve e vou me acostumar. Vai valer a pena o sacrifício”, diz. Ela acha importante fazer o tratamento agora: “Eu não quero ficar com um defeito quando crescer.”
Os pais da Júlia, ao perceberem que ela caía com uma certa freqüência, buscaram o auxílio de um especialista. O que é muito importante.
Segundo o médico Olivo Costa Dias, 59 anos, especialista em ortopedia e traumatologia, o caso de joelhos em “xis” é muito comum. “As crianças devem ser tratadas, porque, além do problema estético, poderão desenvolver artrose das articulações na idade adulta.”
Ele explica que o tratamento pode ser iniciado aos 4 ou 5 anos, quando a criança pode usar a bota ortopédica. Depois, existem os aparelhos formados por barras, usados no período noturno. “Quanto mais precoce o tratamento, melhor o resultado”, explica Olivo Dias.
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Nossa coluna é como árvore
O médico Orlando Costa Dias, 48 anos, especialista em ortopedia de coluna, explica como é feito o tratamento de escoliose na adolescência. “Imagina uma árvore em crescimento. Se ela está crescendo torta, você amarra uma estaca e espera o seu crescimento. A árvore vai corrigindo e fica certinha.”
Agora se a árvore é adulta, é diferente. “As ávores adultas, quando são forçadas para um outro lado, elas não conseguem se endireitar. Elas quebram”, explica Orlando Dias.
Por isso, o médico orienta que o tratamento de deformidade na coluna seja feito entre 11 e 12 anos. “Cada caso é uma evolução, mas normalmente, aos 16 e 17 anos o tratamento é mais complicado, porque já está terminando o crescimento.”
Por isso, é muito importante a garotada e, principalmente, os pais acompanharem de perto o crescimento para que seja possível corrigir enquanto há tempo. Há casos em que o desvio na coluna é hereditário (passa de pai para filho), mas muitos são causados pela má postura.
“Eu oriento os meus pacientes a serem orgulhosos. Empine o nariz, estufe o peito, encolha a barriga”, brinca. Orlando Dias dá um “toque” naqueles “amigos” que vivem fazendo brincadeiras de mau gosto. “Nada de fazer gozação, pois estará atrapalhando o tratamento do amigo”, orienta.
Ah! Outro caso que o médico Orlando Dias comenta como muito sério é o chamado “over-use”. “É o excesso de uso, ou seja muito exercício físico. Isso não é bom para a coluna”, finaliza o médico.
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Orientação para os pais
Visão
- Observar se o filho está com dificuldade para enxergar.
- Fazer exames periódicos com especialistas, pois nem sempre o problema é perceptível
Boca
- Olhar com atenção a boca dos filhos e procurar perceber se os dentes não estão excessivamente para frente ou para trás
- Observar a mordida, se não está cruzada
- Verificar se os dentes permanentes estão nascendo no período certo. Acompanhe os coleguinhas de classe
- Ver se o filho consegue fechar a boca, selar os lábios, ou se está sempre com a boca aberta
- Observar a dicção, pois pode ser um problema na fala ou nos dentes
- Crianças que chupam chupeta ou o dedo, normalmente tem que usar aparelhos ortodônticos
Pernas
- Observar se o filho cai com freqüência
- Ficar atento a queixas de dores nos joelhos
- Verificar se a criança tem as pernas em “xis” (joelhos colados e pés separados)
Coluna Uma forma de observar se o filho possui algum desvio na coluna é fazer um simples exercício. A mãe ou o pai fica sentado em uma cadeira e pede para o filho curvar-se para frente, com as mãos soltas. Por trás, o adulto observa se um lado está mais alto do que o outro. Caso isso ocorra, é hora de buscar um especialista.