09 de julho de 2026
Regional

Tráfico de drogas usa a rota dos sacoleiros do Paraguai

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A rota dos sacoleiros, rodovias que ligam Foz do Iguaçu, no Paraná, a São Paulo e outras capitais do País, estaria sendo usada para o tráfico de entorpecente. O principal meio do transporte da droga seria os ônibus de linha, que partem de Foz do Iguaçu, na divisa com o Paraguai.

O comandante do 2º Batalhão de Polícia Rodoviária, tenente-coronel Daniel Barbosa Rodrigueiro, conta que as polícias rodoviárias estadual e federal passaram a fazer fiscalizações em parceria para tentar quebrar a nova rota do tráfico. Ele conta que a maior quantidade de drogas tem sido apreendida em ônibus de linha. “Os traficantes mudaram a maneira de transportar a droga. Usam ônibus de linha, caminhões e até aviões”, diz.

No caso do transporte de drogas via ônibus de linha, os jovens são usados como aviões (pessoa contratada para transportar a droga), segundo Rodrigueiro. “O traficante paga um “aviãozinho” para viajar com a droga e entregar em determinado local”, diz.

Já quando a quantidade é maior, a droga vem camuflada em caminhões, como recheio de carros ou por aviões. “Temos intensificado as operações e alternado horários e dias para conseguir fazer apreensões”, afirma.

A polícia suspeita que as rodovias mais usadas para o tráfico são as que cortam os municípios de Presidente Prudente, Assis, Florínea, Castilho e Ourinhos. “Dessas cidades, a droga é levada para as capitais do Brasil: São Paulo, Goiás, Bahia, Rio de Janeiro”, afirma.

Rodrigueiro afirma que 99% da droga que passa pela rota do contrabando são maconha. “Em segundo lugar vem a cocaína, seguida do crack e do haxixe, uma droga mais cara”, conta. Para ele, as apreensões mostram para a sociedade o avanço das drogas.

Em menos de três anos, a Delegacia da Polícia Federal de Marília apreendeu cerca de quatro toneladas de drogas em uma das principais rotas do tráfico de entorpecente. No mesmo trajeto, a Polícia Rodoviária Estadual apreendeu, só neste ano, 2,242 quilos de maconha, 13,8 de cocaína, 3,2 quilos de crack e 1,8 de haxixe.

Mas Rodrigueiro acha que ainda há muito a ser feito no combate ao tráfico de entorpecente na região. “Apreendemos uma grande quantidade, mas ainda é uma pequena parte do todo”, suspeita. Rodrigueiro afirma que desde o ano passado o Tático Ostensivo Rodoviário (TOR) vem executando uma nova estratégia no combate ao tráfico.

O delegado titular da Polícia Federal de Marília, Gilberto da Silva Pacheco, diz que desde a instalação da delegacia, há quase três anos, muitas quadrilhas já foram desbaratadas. “A interação das polícias tem alcançado êxito no combate ao tráfico de entorpecente”, afirma.

As apreensões ocorridas na região, consideradas de grande porte, variam de 500 a 800 quilos de droga. “Mas já apreendemos 1.319 quilos de maconha em Marília. Em Assis já fizemos várias apreensões e desbaratamos uma quadrilha”, lembra.

Pacheco confirma que aeronaves, caminhões com fundo falsos e ônibus que partem de Foz do Iguaçu em direção às capitais do Brasil, são as mais utilizadas pelos traficantes. De acordo com o delegado, os ônibus de excursões raramente transportam droga. “Os ocupantes do coletivo não aceitam este tipo de coisa. Eles fazem contrabando, mas tráfico não admitem”, frisa. Segundo Pacheco, a única droga apreendida em ônibus de sacoleiros é lança-perfume.

No primeiro trimestre deste ano foram apreendidos 52 quilos de maconha na rodovia Transbrasiliana entre os 211 quilômetros de estradas que integram a área de atuação da Polícia Rodoviária Federal de Marília. Cerca de 32 quilos de maconha foram apreendidos na madrugada do último dia 27.

A Delegacia da Polícia Federal de Marília apreendeu mais de quatro toneladas de drogas em menos de três anos. É considerada uma das delegacias com maior volume de apreensões do Estado de São Paulo.