O valor da cesta básica em Bauru apresentou queda pelo segundo mês consecutivo, após seguidas altas recordes no último semestre do ano passado. O total dos 31 produtos da cesta registrou queda de 1,18% em março em relação ao mês anterior, sendo cotada a R$ 188,30.
De acordo com a pesquisa realizada mensalmente pelo Data-ITE, órgão ligado à Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), o valor da cesta básica de março é o terceiro maior desde que o levantamento começou a ser realizado, em junho de 1999.
Em comparação a março de 2002, por exemplo, a soma dos itens básicos aumentou 28,7%. Naquele período, a cesta podia ser encontrada em Bauru por R$ 146,28.
Segundo a pesquisa, o grupo de produtos que mais contribuiu para refrear a tendência de alta que vinha desde o ano passado foi novamente o de alimentação. Os itens desse grupo somaram R$ 138,57, valor 3,4% menor do que o registrado em fevereiro.
Em contrapartida, os grupos de limpeza doméstica e higiene pessoal mantiveram-se em alta em relação ao mês de fevereiro - 7,7% e 2,5% mais caros, respectivamente. “Observa-se que os grupos de limpeza doméstica e higiene pessoal contribuíram para que a queda não fosse mais expressiva”, ressalta o economista Reinaldo César Cafeo, coordenador do Data-ITE.
Um dos grandes “vilões” da pesquisa no mês de fevereiro, a batata, desta vez registrou queda de 54,3%. No mês anterior, o produto havia sofrido aumento de até 150%. A salsicha, com queda de 21,7% em março, também foi um item com baixa representatividade.
Na outra ponta, a cebola empurrou o valor da cesta para cima, com aumento de 57,1%. O feijão teve alta de 33,5% e o frango sofreu reajuste de 33,5%. Na média ponderada, que leva em conta o percentual isolado em relação ao valor total, a carne de primeira foi a maior responsável pela queda. Isoladamente, o produto teve diminuição de 12,1%.
Para o economista Cafeo, o consumidor precisa “manter a vigilância” e praticar a pesquisa de preços, dada a discrepância de valores entre os produtos pesquisados na cidade. O feijão, por exemplo, pode ser encontrado a preços que variam de R$ 2,47 a R$ 5,79.
Boicote
De acordo com o supermercadista Jad Zogheib, diretor da regional Bauru da Associação Paulista de Supermercados (Apas), o preço dos produtos - principalmente alimentícios - estão numa “fase de acomodação”, após seguidas altas nos últimos meses de 2002.
“Houve uma alta muito grande no ano passado em função das elevações do dólar, pois produtos como arroz, soja e café são commodities reguladas pelo mercado internacional”, diz Zogheib. Este período, de safra do arroz e da soja, também contribui para uma pressão menor de aumento de preços. “O mercado está bem acomodado, com exceção do feijão, que teve problemas com as chuvas”, completa.
Na opinião do diretor da Apas, a recessão - e a conseqüente diminuição do poder aquisitivo da população - acaba contribuindo para uma estabilidade nos preços. “Eu acredito que neste primeiro semestre (os preços) vão ficar bem estáveis”, afirma.
Para Zogheib, o consumidor precisa pressionar a indústria e os próprios supermercados através do boicote e substituição de produtos que sofrerem altas consideradas abusivas. Atualmente, os “vilões” são os hortifrutis, principalmente o tomate.
“Não justifica um quilo de tomate custar R$ 3,00, mais caro que um quilo de frango”, afirma o diretor da Apas. E recomenda: “Os consumidores têm que fazer uma substituição. No caso do tomate, por exemplo, ele pode ser substituído por produtos mais baratos, como berinjela, pepino.”