08 de julho de 2026
Cultura

Beleza ingênua

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

O Sesc de Bauru exibe a partir de hoje, no seu piso térreo, 30 trabalhos de arte naïf de diversos artistas brasileiros. As obras fazem parte da Mostra Itinerante de Arte Naïf, composta por parte do acervo do Sesc de Piracicaba, criado em 1986 e que serve de base para a Bienal de Arte Naïf organizada na cidade.

Com visitação aberta até o dia 22 de abril, a exposição é uma rara oportunidade para o público de Bauru e região apreciar os detalhes desse estilo de pintura que se caracteriza justamente por não adotar nenhuma técnica específica.

“A gente pode definir os artistas de arte naïf como anarquistas do pincel, porque eles não se ligam a nenhum movimento. Geralmente são autodidatas”, diz a artista plástica Christina Marianno. Bacharel em pintura pela Escola de Belas Artes de São Paulo, ela vai ministrar uma oficina de arte naïf para a terceira idade, no Sesc, essa semana.

Isso garante, para quem aprecia uma obra desse tipo, a oportunidade de entrar em um universo particular, que - talvez mais do que em outros estilos - reflete não só a visão do autor, mas a sua origem e o seu dia-a-dia.

As obras que estão em exposição no Sesc são telas e aquarelas de 30 artistas de todas as partes do País que retratam os mais variados momentos do cotidiano de seus autores.

“É uma característica naïf. Eles geralmante contam uma história em seus quadros”, afirma Marianno, que ainda lista como marcas registradas desse estilo artístico, o uso de cores primárias e a ausência de volume, com poucos contrastes de luz e sombra e perspectiva.

A reunião de obras produzidas nos quatro cantos do País compõe um painel da vida rural e urbana brasileiras no qual trabalhadores rurais estão ao lado de cultos afro-brasileiros, festas populares e protestos nas ruas. Um dos nomes incluídos na Mostra é o de Sebastião Theodoro Paulino da Silva, natural de Assis, que morreu recentemente.

De acordo com Marianno, para apreciar a arte naïf é preciso se deixar levar pelo sentimento, tentando perceber o momento que o artista viveu ao produzir o seu trabalho. “É olhar com os olhos tão ingênuos quanto os do artista que pintou o quadro”, diz.

Depois de Bauru a Mostra deve seguir para Ourinhos, Tupã, Palmital, Assis e Marília.

Serviço

Mostra Itinerante de Arte Naïf no Sesc. Até o dia 22 de abril, de terça a sexta-feira, das 13h às 21h30 e aos sábados e domingos, das 9 às 17h30. Oficina de arte naïf para a 3ª idade, dias 3, 10 e 17, às 13h30, na sala de uso múltiplo. Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 235-1750.

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De onde vem o naïf

O termo naïf tem origem francesa e é traduzido livremente com o sentido de “ingênuo”. A palavra foi utilizada pela primeira vez em arte no final do século 19 e início do século 20, para desqualificar o trabalho do pintor francês Henri Rousseau, conhecido como “o alfandegário” por causa de sua profissão.

Por fugir dos padrões estéticos da época, Rousseau foi muito criticado. Anos depois o modernismo redimiu a “arte ingênua”, tornando-a popular em todo o mundo, inclusive no Brasil, que possui um número considerável de artistas que praticam esse estilo.