09 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

EUA tentam 'limpar' acesso a Bagd

Agência Folha
| Tempo de leitura: 4 min

Bagdá - Depois de romper o cerco montado pelo Iraque destinado a evitar o acesso a Bagdá, as forças americanas intensificaram ontem as movimentações para assegurar uma rota “limpa” para tropas que devem iniciar a ofensiva por terra à capital iraquiana.

Os soldados norte-americanos, de acordo com a rede CNN, começaram a receber um plano de batalha, em que se aponta para os próximos dias o início da grande ofensiva para a tomada de Bagdá. Pelo menos 75 soldados iraquianos morreram e outros 44, incluindo membros da Guarda Republicana, foram feitos prisioneiros em combates nos subúrbios de Diwaniyah - no centro-sul do Iraque.

Uma faixa entre Diwaniyah e Kut (a Nordeste) recebeu intenso bombardeio durante o dia, no que o serviço de inteligência dos fuzileiros navais classificou como “operação de limpeza”. Combates se estenderam por mais de oito horas, a despeito da inferioridade de poderio bélico empregado pelos iraquianos.

“Dispararam de prédios, de abrigos antiaéreos, de buracos em todas as partes. Diga um lugar, e eles estavam lá’’, contou o capitão marine Patrick Irish, após o embate. Em outro esforço para abrir a via para invasão de Bagdá, jatos norte-americanos bombardearam posições iraquianas ao redor de Karbala e Hindiya, a cerca de 80 quilômetros da capital.

Ambas ficam em região de passagem obrigatória para as tropas dos EUA. “O que fazemos é a preparação do campo de batalha para o grande encontro com a Guarda Republicana (as tropas de elite de Saddam Hussein)”, disse um capitão marine.

O general Tommy Franks, comandante das operações no Golfo Pérsico, declarou ontem que duas unidades da Guarda Republicana teriam perdido mais da metade de seu contingente depois dos intensos bombardeios e dos combates em terra com a coalizão - mas não detalhou quantos desses soldados iraquianos teriam sido mortos ou feitos prisioneiros.

O secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, por sua vez, negou que os EUA estivessem negociando com autoridades iraquianas o fim da guerra. “A única coisa que a coalizão discutirá com esse regime é sua rendição incondicional”, afirmou Rumsfeld.

Segundo ele, as forças britânicas e norte-americanas estão posicionadas ao redor da capital pelo Norte, Sul e Oeste. “O círculo está se fechando”, argumentou. Rumsfeld afirmou ainda que Saddam estaria “plantando’’ rumores de que haveria contatos entre os EUA e líderes iraquianos (para o fim negociado da guerra).

O objetivo dos rumores, segundo ele, seria convencer a população iraquiana de que a coalizão não pretende terminar seu trabalho (remover Saddam do poder).

“Não haverá resultado nessa guerra que deixe Saddam Hussein no poder. Não tenham dúvidas, seu regime terminará e brevemente”, prometeu o secretário. Mais bombas e soldados Guerrilheiros curdos informaram que não pretendem atacar Kirkuk (Norte) a menos que recebam instruções dos norte-americanos. Kirkuk é a principal zona produtora de petróleo do Iraque.

Membros da guerrilha curda deixaram seu território autônomo há dez dias e iniciaram avanço para outras áreas no norte do Iraque. Fronteiriça à região curda, a Turquia teme que um ataque a Kirkuk incentive uma rebelião entre os curdos que vivem em seu território.

Anteontem, jatos dos EUA bombardearam posições iraquianas em Kifri, a 100 quilômetros de Kirkuk. Basra, cercada por britânicos desde o início da guerra, recebeu novos bombardeios. Assim como Bagdá, que voltou a ser bombardeada pelo 13ª dia seguido.

Tropas da 4.ª Divisão de Infantaria começaram a chegar ontem ao Kuwait. Em princípio, a unidade deveria ter sido enviada à Turquia, para participar da abertura de uma “frente norte’’, mas a negativa do governo turco obrigou os EUA a reverem seu plano.

Aviões americanos atacaram dois ônibus que levavam, da Jordânia para o Iraque, europeus e americanos que se dispunham a servir de escudos humanos, segundo afirmaram autoridades iraquianas. Os Estados Unidos não confirmaram a informação.

O ministro da Informação, Mohammed Al Sahaf disse em entrevista coletiva que os feridos estavam sendo tratados em um hospital perto da fronteira com a Jordânia. Ele não forneceu mais detalhes. De acordo com o ministro, o ataque aconteceu já no território iraquiano, na estrada que liga Amã (Jordânia) a Bagdá.

Os americanos e europeus iriam servir de escudos humanos em instalações que poderiam ser alvos de ataques na capital iraquiana. Centenas de ativistas ocidentais foram a Bagdá antes da eclosão da guerra para demonstrar apoio à população iraquiana e para tentar evitar ataques dos americanos ao país. Muitos já deixaram o Iraque.