09 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

Indústria dos Estados Unidos volta a encolher

Agência Folha
| Tempo de leitura: 2 min

Nova York - A guerra no Iraque atingiu em cheio a indústria norte-americana, que sofreu sua primeira contração em cinco meses. A brusca queda na demanda, mesmo antes do início do conflito, fez o índice que avalia as condições do setor cair ao mais baixo patamar desde novembro de 2001, quando os EUA ainda sentiam os efeitos dos atentados terroristas.

De acordo com o Instituto de Gerenciamento de Fornecimento, na sigla em inglês (ISM), o índice de atividade na indústria caiu para 46,2 pontos no mês passado, ante 50,5 pontos em fevereiro. O resultado ficou bem abaixo da expectativa dos analistas, que esperavam em torno de 48 pontos.

Pela metodologia do ISM, números abaixo de 50 pontos indicam contração na atividade, e acima, expansão. A indústria dos EUA, segundo o ISM, não apresentava contração desde novembro do ano passado.

O índice do mês passado é o mais baixo desde os 45,7 pontos registrados em novembro de 2001, quando o país, que já estava em recessão, tinha acabado de ser atingindo pelos ataques terroristas, em 11 de setembro, que ampliaram a instabilidade econômica.

Entre o fim de 2000 e o começo do ano passado, a indústria amargou 18 meses consecutivos de contração, voltando a crescer apenas em fevereiro. Ainda assim, a retomada do setor sempre foi bastante instável e sujeita a retrações.

“A guerra parece ter reduzindo a demanda em vários setores, como químicos, eletrônicos e equipamentos industriais”, disse Norbert Ore, presidente da Comissão de Pesquisas Econômicas do ISM. A indústria responde por cerca de um sexto do Produto Interno Bruto (PIB).

Normalmente, o setor reflete antecipadamente as tendências econômicas, como na recessão de 2001, quando foi o primeiro a entrar em queda. Os números do ISM se somam a vários outros indicadores que demonstram que houve uma nova freada na economia norte-americana.

Na sexta-feira, será divulgada a taxa de desemprego, e a expectativa é que cresça o número de pessoas desocupadas. Ainda ontem, um relatório do Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou que a construção civil recuou 0,2% em fevereiro. A queda nos gastos se deveu sobretudo a uma diminuição dos investimentos públicos em grandes obras.