Os cerca de 70 alunos da zona rural matriculados na escola estadual Major Fraga, no distrito de Tibiriçá, que esperavam retomar as aulas ontem, mais uma vez faltaram. O transporte escolar aguardado por dois meses e garantido pela Diretoria Regional de Ensino para essa quinta-feira, não saiu.
Segundo Dulcinéia Cosmo Leizico, uma moradora de Tibiriçá que lutou pela instalação do ensino médio na escola, a empresa de ônibus contratada não fez o serviço porque não dispõe de veículos adequados para circular pelas fazendas.
“Falei com o rapaz da empresa, que me disse ter apenas ônibus executivos. Pelo jeito, a ordem da Secretaria do Estado da Educação é empurrar a situação com a barriga. Dá para sentir que o governo não espera nada dos jovens”, critica ela. O JC não conseguiu contato com a empresa de ônibus contratada pela Diretoria de Ensino ontem à noite.
Já a presidente da Associação de Moradores do distrito de Tibiriçá, Rosa Maria de Souza, garante que a locomoção não foi feita porque o motorista do ônibus atrasou para pegar os estudantes.
“Nos convidaram para mostrar o itinerário. Chegamos aqui às 17h, horário que os alunos já estão nos pontos de ônibus. O motorista iria percorrer o trajeto às 19h, quando não tem mais ninguém esperando. Depois, ainda pediu que eu assinasse um documento comprovando sua presença”, conta.
Desconhecendo o mais novo capítulo do impasse, a sobrinha de Moisés Antonio ficou com a mãe e a tia no ponto à espera de condução. “Elas ficaram mais de uma hora esperando, mas ninguém passou. Ficamos muito nervosos”, relata.
Depois de acompanhar a apreensão dos vizinhos, Sueli Jesus da Rocha desistiu de transferir sua filha de Agudos para Bauru. Quando a dificuldade começou, ela mandou a garota para a casa de parentes na cidade ao lado, a fim de garantir lhe educação.
Assim como pais, estudantes e moradores, o dirigente regional de Ensino, Jair Sanches Vieira, também se mostrou surpreendido a situação. “Hoje (ontem), por volta das 16h30, o proprietário da empresa de ônibus garantiu que faria o transporte nessa noite. Diante do problema, podemos até contratar outra empresa, já que fizemos várias cotações”, informa.
De acordo com ele, a Diretoria de Ensino vai pagar R$ 1,60 por quilômetro rodado. Posteriormente, a atribuição passará para a Associação de Pais e Mestres (APM), que estabelecerá contrato a partir de processo licitatório.
A partir de hoje, o advogado dos moradores da área rural que vivenciam o problema, Sandro Fernandes, vai estudar quais medidas deve adotar para garantir o cumprimento da liminar concedida pelo juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer.
Ela determina o transporte escolar para todos os alunos que morem a mais de dois quilômetros da escola em que estão matriculados.
A decisão do magistrado entrou em vigor no dia 22 de março, mas até ontem não havia sido acatada pela Diretoria Regional de Ensino. Devido o descumprimento judicial, o Estado está sujeito à uma multa de R$ 1 mil por dia e adolescente fora da escola.