A eleição dos Conselhos Gestores de Saúde, ocorrida durante o mês passado, renovou em quase 100% o órgão, que vinha atuando de maneira restrita há 9 anos. A informação é da integrante da Comissão de Formação e Capacitação do Conselho Municipal de Saúde, Sueli Benório. “No total, temos cerca de 250 conselheiros eleitos, entre titulares e suplentes.”
De acordo com ela, a eleição marcou uma grande mudança no sistema de saúde, com a chegada de novas pessoas para exercer o cargo. “O importante dessa restruturação é que as pessoas estão chegando com muito ânimo para participar do conselho”, destaca.
O pleito foi realizado no mês passado, em 22 das 23 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município. Apenas o Pronto-Socorro Municipal Central ficou de fora, por estar passando por reforma. Os eleitos terão um mandato de dois anos.
Para que houvesse uma participação efetiva da população, a Comissão de Formação e Capacitação do Conselho Municipal de Saúde firmou uma parceria com a Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. “Até então, os conselheiros não se sentiam legítimos, pois a população não reconhecia o seu trabalho por não ter idéia do que se tratava”, destaca Sueli.
A campanha começou com uma reunião realizada no Centro Cultural no final de fevereiro deste ano. Folders e outdoors foram distribuídos pela cidade explicando o que significa o trabalho dos conselheiros gestores para a comunidade, visando esclarecer as pessoas sobre a importância de participar da consolidação do órgão, seja se candidatando ao cargo, seja votando para eleger os membros.
Planos em mente
Entre os eleitos está a agente comunitária Sandra Mara de Souza Bueno. É a primeira vez que ela vai desenvolver esse tipo de trabalho voluntário e a expectativa é grande. “Como eu trabalho como agente comunitária, sei que as necessidades da população são grandes e é preciso cobrar para que elas sejam atendidas”, diz.
Ela vai atuar no Núcleo de Saúde do Jardim Godoy e já tem uma lista de reivindicações a serem feitas. “Em primeiro lugar, temos que terminar o Centro Comunitário do bairro. Ele vai servir de apoio para a realização de muitas campanhas de saúde da região”, explica.
A lancheira Antônia Adão de Souza, moradora da Vila Nova Esperança é outra pessoa que vai participar pela primeira vez do Conselho Gestor.
Ela diz que conhece bem a realidade do seu bairro e pretende trabalhar em prol de melhorias para a comunidade carente. “Muita gente levanta de madrugada para conseguir médico. Temos que estudar uma maneira de acabar com todo esse sacrifício”, exemplifica.
A lancheira conta que está muito animada com o início dos trabalhos do conselho e acredita que ele será capaz de mudar a realidade do atendimento público de saúde. “Não vai ser fácil, mas temos que continuar lutando para conseguir aumentar o número de médicos e funcionários, garantindo mais atenção para quem necessita do serviço público de saúde.”
O aposentado Roberto Rodrigues, morador da Vila Dutra, sente na pele a precariedade do atendimento da rede pública. A esposa dele teve derrame e precisa de constantes cuidados médicos. “Eu decidi me candidatar porque utilizo com freqüência o posto de saúde e sei como é o sofrimento das pessoas que precisam de atendimento”, ressalta.
Ele também já tem várias propostas para apresentar ao Conselho Municipal de Saúde. A primeira delas é física: um telhado que possa abrigar as pessoas que passam a madrugada na fila esperando para marcar consulta. “Quando chove, quem está na fila não tem para onde correr”, explica.