Os professores das redes pública e particular de ensino de Bauru e da região estão tendo a oportunidade de aprender como lidar com alunos que possuem deficiência auditiva.
O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho) da Universidade de São Paulo (USP) iniciou nesta semana o curso de capacitação que oferece noções sobre os aparelhos de amplificação sonora, inclusão social e adaptação curricular.
O curso existe desde 2000 e nesse período contou com a participação de cerca de 300 professores. A novidade neste ano é a formação de um grupo de estudos. Além disso, as aulas deixaram de ser mensais e passaram a ser quinzenais.
O Centrinho atende hoje cerca de 30 crianças no Centro Educacional do Deficiente Auditivo (Cedau) e outras 52 no Núcleo Integrado de Reabilitação e Habilitação (NIRH). Os alunos também freqüentam o ensino regular e os professores deles são justamente o público alvo do curso.
A coordenadora do curso, Maria José Benjamin Buffa, explica como é feito o contato. “Nós temos uma parceria com a Secretaria Municipal da Educação e com a Diretoria Regional de Ensino, que ficam responsáveis pela convocação dos professores. No caso das escolas particulares, nós é que fazemos o convite.”
O Centrinho recebeu nesta semana a presença de cerca de 160 participantes. A professora May Ferreira Jorge, que participa pelo segundo ano do curso, trabalha com um aluno que é deficiente auditivo. Ela conta que a relação com ele melhorou muito. “Principalmente quando eu passei a conhecer os problemas que um aparelho pode trazer no ambiente de sala de aula, que costuma ser ruidoso.”
Segundo ela, os dois lados saíram ganhando. “O comportamento dele também é outro, mais tranqüilo. Pela primeira vez, ele falou meu nome.”
Já a professora Elaine Abrahão disse que as aulas foram eficientes. “Nós aprendemos como lidar com eles. Para mim, que tenho uma aluna com deficiência auditiva, foi muito produtivo.”
Evolução
A pedagoga Andrea Gandolfi Berro, uma das responsáveis pelas aulas, conta que houve uma evolução no número de participantes. “Antes fazíamos seminários que restringiam a presença dos professores. Depois que foram feitas as parcerias, conseguimos atrair mais gente.”
Para ela, os resultados são o maior incentivo. “O retorno é superpositivo, porque eles acabam aplicando em sala de aula o que nós ensinamos aqui.”
Kátia Fugiwara de Oliveira, outra das palestrantes, afirma que o trabalho vem dando resultado até fora da escola. “Há relatos de professores que dizem que sentiram uma melhora não só profissional, mas em casa também.”
Já Luciane Aparecida Fiori de Godoy, que também ministra as aulas, lembra que as crianças sentiram a diferença. “O mais gratificante é quando uma delas chega e fala que o professor que ele tanto reclamava mudou.”