10 de julho de 2026
Bairros

Situação de desalojados se agrava

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A chuva que caiu no início da tarde de ontem provocou ainda mais prejuízos às quatro famílias alojadas provisoriamente no Centro Comunitário da Vila Ipiranga. Como a cobertura do imóvel é precária, a água entrou em aparelhos eletrodomésticos, como televisão, rádio e geladeira, além de molhar móveis e roupas.

As famílias foram despejadas há um mês devido à uma ação de reintegração de posse, permaneceram 15 dias na praça Jayme Bichusky e, posteriormente, ocuparam o centro. Elas, junto com outras 13 pessoas, ocupararam irregularmente casas de propriedade privada no Jardim Ferraz.

O fardo de viver com uma alimentação pobre e insuficiente, com higiene precária, em instalações provisórias e vulneráveis está minguando a esperança dos desabrigados. Eles ainda sonham com um teto, enquanto tentam sobreviver às dificuldades e aos temporais.

“Desconhecemos o limite da humilhação. Nos esqueceram aqui. Antes nos ajudavam, mas agora não significamos mais nada. Estou perdendo as esperanças. Não sei mais o que fazer. Como estou sem emprego, peguei uma TV para arrumar. Quase perdi o eletrodomésico com a chuva”, desabafa Divino Barbosa.

Além de estar desolado com as fendas no telhado, que é coberto de vegetação rasteira, ele reclama da falta de sensibilidade das pessoas, que teriam se acostumado com a circunstância.

“Quando estávamos na praça, as pessoas colaboraram com cestas básicas e recebíamos o apoio de vizinhos, do Sindicato dos Bancários e dos vereadores Maria José Majô Jandreice (PC do B) e José Carlos Batata (PT). Agora, não nos procuram mais. Estamos vivendo como na praça, porque quando chove, temos que colocar lona”, conta Divino.

De acordo com ele, a Defesa Civil se comprometeu a providenciar a limpeza das telhas, de onde brotam uma vegetação.

“Quando chove, cai mais água dentro do que fora. Já perdemos tudo e começamos a perder o que recebemos de doação. As crianças estão doentes e não temos a quem recorrer”, explica Valdir Pereira da Silva.

Ele suspeita que a água consumida no local esteja provocando prejuízo à saúde das crianças. Três, das nove que vivem no Centro Comunitário, estão com diarréia há uma semana, sendo que uma delas está desidratada.

“Nossa alimentação hoje é à base de arroz, farinha e batata. Ganhamos dois fardos de batata e algumas cestas básicas. Mas está muito difícil. Eu tenho problema no pulmão, minha cunhada no coração e as crianças evacuando o tempo todo. Pelo menos a prefeitura poderia fazer alguma coisa por nós”, queixa-se Teresa Barbosa.

Impedimentos

Porém, o máximo que a administração municipal se dispôs a fazer foi orientar as famílias sobre a existência do albergue noturno, que estaria à disposição das pessoas que não tivessem para onde ir. Contudo, receosas em perder objetos pessoais, as famílias não aceitaram a proposta.

“Não sei mais a quem recorrer. O que eu poderia fazer, eu fiz”, explica a vereadora Majô, também desanimada com o desfecho do caso. O mesmo sentimento é compartilhado por Batata, para quem as ajudas materiais são as únicas que restaram.

“Tenho um saco de sapatos para levar para eles. Me sinto de mãos atadas porque não tenho como oferecer uma casa, por exemplo”, diz.

Já a vizinha Paula de Carvalho Costa, uma das mais contumazes contribuidoras, atribui sua recente ausência a problemas pessoais.

“Mesmo assim, os acompanho de longe. Soube que estão recebendo algumas doações. O Paulinho do Sindicato dos Bancários esteve lá ontem”, explica. A informação não foi confirmada porque o diretor da entidade não foi encontrado.

Por sua vez, o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, informa que solicitou à regional do bairro a retirada da vegetação das telhas do centro comunitário, mas a falta de um equipamento teria impedido o trabalho. Ele garante uma visita no local, quando pretende averiguar as condições do abastecimento de água.