São Paulo - O assédio de empresários, procuradores, assessores, representantes, parentes e atravessadores de jogadores de futebol já irritou o técnico do Corinthians, Geninho. Enquanto a diretoria tenta concretizar a contratação de um volante e de um atacante para as vagas de Vampeta e Lucas, ambos afastados por causa de graves lesões, o treinador se tornou vítima desses “profissionais”.
Desde o anúncio de que o clube buscava reforços, a situação chegou a ser descrita como “insuportável”. Dentre as aporrinhações, a que mais tem incomodado é o oferecimento de atletas. A bagunça é tamanha que diferentes pessoas ligam para oferecer o mesmo jogador.
Mas quando um clube como o Corinthians decide contratar alguém, não apenas agita o mercado, como também o inflaciona. “Jogadores que seriam negociados por ‘x’ com outro clube, aqui pedem ‘10x’. Assim fica difícil”, lamentou o treinador.
Quem também tem sofrido nesse processo é o vice-presidente de Futebol, Antonio Roque Citadini. “São muitas ligações. O mínimo que a gente faz é tentar ser educado com todos, atender numa boa. Porém, não sai nada de concreto”, revelou.
Entre os nomes com os quais os corintianos estariam efetivamente negociando, está o do volante Cocito, do Atlético-PR. O jogador tentou por várias vezes renovar seu contrato, que termina em junho, mas ainda não conseguiu.
“Conversei com o Marcel (Figer, procurador do atleta) e ele confirmou que os clubes estão mesmo negociando sobre o Cocito”, afirmou José Miguel, assessor do escritório da família Figer.
Dúvidas
O técnico Geninho definiu ontem que o zagueiro César substituirá Anderson, suspenso, na partida de amanhã contra o Figueirense, em Florianópolis, pelo Campeonato Brasileiro.
Em compensação, o técnico não sabe se poderá contar com o lateral-esquerdo Kléber, que levou uma pancada no pé esquerdo na partida de quarta-feira contra o Fénix, pela Libertadores. O jogador não participou do treino de ontem, no estádio do Parque São Jorge.
“O Kléber fará um exame e amnhã (hoje) saberemos se ele terá condições de viajar para Florianópolis. Quanto ao César, é um jogador experiente e não terá problemas para se adaptar ao time”, explicou o treinador.
Caso Kléber não tenha condições de jogo, será substituído por Roger. Depois de jogar no ano passado pelo Palmeiras - que acabou rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro-, César chegou ao Corinthians no começo do ano, emprestado pelo Rennes da França.
Desde então, só entrou na equipe em duas partidas, sempre começando no banco de reservas: contra o América de São José do Rio Preto, pelo Campeonato Paulista, e contra o Atlético-MG, domingo, pelo Nacional.
“Quero entrar na equipe para complicar a cabeça do Geninho”, disse o jogador, em tom de brincadeira. “O Anderson e o Fábio Luciano estão entrosados, merecem inclusive ser convocados para a Seleção Brasileira. Mas eu estava esperando por esta oportunidade para mostrar as minhas qualidades”, disse o jogador.
César lembrou que jogou por cinco anos com Fábio Luciano nas categorias de base da Ponte Preta. “Na época, no entanto, o Fábio jogava como meio-campista”, disse.