08 de julho de 2026
Geral

Experimentos estão sob controle

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Muitas pessoas questionam se essas formas agressivas de vírus e bactérias não seriam frutos de mutações realizadas em laboratório. Afinal, a evolução biológica permitiu aos cientistas criar e recriar micróbios. Porém, para o pesquisador Domingos Alves Meira, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, estas são especulações sem fundamento.

“Posso lhe assegurar que as estruturas que causam essas doenças não são produtos do homem. O que o ser humano tem feito é usar a biologia molecular - que tem menos de 20 anos de prosperidade no nosso mundo - para produzir quimeras. Os cientistas estudam o germe e desenvolvem exemplares não-patogênicos para facilitar as pesquisas”, garante.

Ele cita o caso da incessante luta contra o vírus da aids. “Os laboratórios têm que fazer testes para identificar genes de resistência a determinados remédios. Para isso, eles trabalham com o vírus vivo e isso é uma temeridade. Só laboratórios muito seguros e profissionais muito especializados têm autorização para isso, pois é preciso haver bloqueio total do vírus”, comenta.

Para reduzir os riscos e garantir total segurança ao próprio manuseio durante os experimentos, segundo ele, os cientistas trabalham com micróbios semelhantes aos vírus da doença, só que incapazes de transmiti-la.

“Por enquanto, nenhuma dessas doenças - nem as mais antigas que estão ressurgindo, com malária e tuberculose - foi produzida pelo homem. Pelo contrário, na história da tuberculose. O registro mais antigo do bacilo foi encontrados no esqueleto de bizões norte-americanos - animais que foram extintos há milhares de anos, quando nem se sonhava com a biologia molecular”, defende.

“É como disse um cientista chamado Patherson: À medida que o homem faz uma ratoeira melhor, a natureza faz um rato melhor ainda. O homem não é nada inocente. Ele é o agente mais importante dessa história. Ele agride a natureza e, por isso, recebe o troco. Mas posso afirmar com segurança que não chegamos a ter um monstro que viesse fazendo isso (produção de vírus novos em laboratório)”, encerra Meira.