Nova York - O presidente dos EUA, George W. Bush, vai hoje à Irlanda do Norte para um encontro de dois dias com seu colega britânico, Tony Blair, que deverá novamente lhe pedir que reserve papel de destaque para a ONU no Iraque. Na última reunião, em Camp David, Blair havia dito que ainda era muito cedo para discutir a reconstrução do país.
Agora, porém, deverá pressionar para que os EUA aceitem levar ao Conselho de Segurança uma resolução regulamentando a participação da ONU no pós-guerra. Blair acha que “quanto mais envolvimento internacional houver, mais fácil será o esforço de reconstrução”, segundo as palavras de seu porta-voz.
Assumindo o papel de intermediário entre a ONU e os EUA, o governo inglês já tenta inclusive tirar o foco da discussão sobre quem estaria à frente da nova gestão. Segundo o porta-voz de Blair, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse ao premiê britânico que sua entidade não tem capacidade para governar o país.
Na terceira reunião em duas semanas entre Bush e Blair, dois outros assuntos deverão dominar a pauta além da reconstrução do Iraque: a paz no Oriente Médio e também a situação política na própria Irlanda do Norte. Nesse sentido, até o local do encontro, Dublin, foi escolhido de forma a simbolizar para os países do Oriente Médio que EUA e Reino Unido acreditam ser possível um cessar-fogo na região.
Até meados dos anos 90, a Irlanda do Norte era palco de conflitos político-religiosos. De um lado, os católicos, tentando juntar o país à vizinha Irlanda; de outro, os protestantes, buscando mantê-lo como parte do Reino Unido.