09 de julho de 2026
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Quaresma - Kairos


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Com a Quarta-feira de Cinzas (ocorrida no passado 05 de março), iniciou-se a Quaresma 2003. Palavra de origem latina, Quaresma é uma caminhada de quarenta dias de preparação espiritual para a solenidade máxima e central da Liturgia Católica que é a Páscoa da Ressurreição.

Quaresma nos faz lembrar os quarenta dias do retiro de Cristo no deserto da Judéia, onde venceu a tríplice tentação do demônio que astutamente procurava destruir a obra messiânica de salvação da humanidade: tentação do prazer, do poder e do orgulho.

Quaresma que vem também nos lembrar os quarenta anos da peregrinação do povo eleito no deserto rumo à terra prometida, libertado de uma longa escravidão social e religiosa dos Faraós, no Egito.

Nos primeiros séculos da história da Igreja, Quaresma era a etapa final da preparação dos adultos para o sacramento do Batismo. Após essa preparação ou catecumenato que muitas vezes durava alguns anos, os batizandos eram admitidos, no começo da Quaresma, como candidatos que iriam receber o Batismo na noite solene da Vigília Pascal.

Ainda que essa práxis pastoral tenha mudado ao longo dos séculos, a Quaresma continua tendo uma forte tônica batismal. É tempo de o cristão repensar, reviver e reavivar o seu Batismo, ou seja, sua própria vocação e missão na Igreja e no mundo.

Quaresma é Kairós, palavra grega usada por São Paulo na sua segunda carta à comunidade de Corinto (2 Cor 6, 2) e que significa tempo propício. Quaresma, no sentir da Igreja, é tempo propício sobretudo de conversão em todas as dimensões da vida humana.

Conversão, o mais forte apelo da Quaresma, é um dos ensinamentos básicos da Bíblia, particularmente na pregação de Cristo.

Na terminologia hebraica, conversão quer dizer mudar de rumo, deixando um caminho errado para tomar o certo. O que é sinal de bom senso e sabedoria.

Na terminologia grega, conversão significa mudar de mentalidade.

À luz da Palavra de Deus, a Quaresma é um convite a trilharmos os caminhos de Deus, imbuindo-nos de sua mentalidade. A conversão é condição indispensável para o amadurecimento humano e cristão, para a mudança moral e espiritual da pessoa, da família e da sociedade.

Numa perspectiva de fé, a conversão é sobretudo ação de Deus em nós, pressupondo sempre, porém, nossa livre cooperação. Afirma Santo Agostinho que ninguém sai de seu pecado, ou seja, ninguém se converte somente por seus próprios méritos e iniciativas.

Se é verdade que a conversão sempre exige renúncias e algum sacrifício, em contrapartida é portadora daquela indizível alegria e paz que o mundo não pode dar. A experiência religiosa da conversão jamais decepciona.

A Quaresma já vai adiantada. Estamos entrando hoje na sua última semana. É tempo favorável em que Deus está passando no meio de nós! Dizia Santo Agostinho: “Temo o Senhor que está passando!” Que está passando agora nos caminhos de nossa vida. Que nos seja concedida a graça de acolhê-lo. É o que desejo a todos neste findar de Quaresma, a caminho da Páscoa do Senhor que está chegando. (Frei Lourenço M. Papin)