Prestem atenção nesta estória e vejam se não é o mesmo que o Bush está querendo fazer no Iraque:
“Rumores e boatos na grande cidade. Mais uma gangue ‘ultra alguma coisa’ causava medo nas madrugadas frias dos bairros centrais de São Paulo. Os mendigos eram as vítimas; mendigos e todos os que dormem na rua.
Duas e meia da manhã. O cenário é a praça Buenos Aires, no Higienópolis. Um grupo de 15 ou 16 mendigos dorme na calçada, envolto em cobertores e trapos. Algumas panelas e caixas são os únicos apetrechos, o espólio, e eu diria mais, a herança que esses coitados possuem. Inadvertidamente, um furgão azul importado vira a esquina, vindo lá da avenida Angélica, e pára bruscamente ao lado dos pobres adormecidos. Abre-se a porta lateral e descem vários homens encapuzados de dentro, todos com paus, cacetetes e correntes, gritando como loucos. Os agressores espancam sem piedade os mendigos indefesos. Pancadas na cabeça, nos rins, nas pernas, nas partes íntimas. Tochas são acesas e os pobres coitados são queimados, junto com os cobertores.
Mas não dura muito. Quando o fogo já parece ter feito um certo estrago, um apito é tocado. Os agressores param imediatamente a ação, deixam os paus e as correntes e ficam esperando o outro furgão azul, que encosta atrás. De dentro do outro furgão, os agressores tiram panelas de sopa quente, grandes sacos de pão, café, leite e muitos remédios. Começam a fazer curativos nos mendigos, passam pomada nas queimaduras, desinfetam, enfaixam, cauterizam, limpam, dão xaropes, comprimidos, perguntam onde dói, acreditam realmente na cura daquela pobre gente. Depois, pegam cobertores novos e travesseiros limpos e distribuem entre eles, lêem um trecho da Bíblia e vão embora.
Os ataques acontecem duas ou três vezes por semana, e sempre nessas madrugadas, logo após o evento, cidadãos honrados deitam em suas camas, ao lado das esposas, puxam os lençóis e resmungam confortavelmente:
-Humm!! Agora podemos dormir em paz. Boa noite, querida.” (Luís Paulo C. Domingues - RG17115765)