09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Onde está a honestidade?


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Um viaja com o carro público, levando a família a tiracolo. Tem aquele que recebe cheques de terceiros e deposita em sua própria conta. Outro tem sua assessora morando em outra cidade, só vindo ao local do trabalho no dia do pagamento. Um mais atrevido alerta que 21 não é o número ideal de vereadores, sendo justo dobrar essa quantidade. Outro empresta o veículo público para o pai de assessor perambular por aí. Nas compras, aquilo que vale R$ 100 acaba sendo comprado por R$ 1.000. Outro traz atestado médico comprovando não estar em condições de depor e sai dirigindo seu próprio veículo. Aquele outro é obrigado a votar sempre a favor, pois tem parentes com empregos loteados. Um declarou que só vota quando pintar o prometido.

Outro, que assina tudo isso, diz desconhecer esses procedimentos dentro daquilo que administra. Outro se hospeda por aí, sem sair da cidade. Tem mais...muito mais.

Será que fazem isso sem qualquer tipo de constrangimento? Ninguém cobra nada desse pessoal? Como encaram seus amigos e familiares? Ainda possuem coragem de andar pelas ruas e cumprimentar as pessoas? Não terão vergonha na cara? Será que dão bom dia para seus filhos com a cabeça erguida? Será que se acham espertos e que tudo deve ser feito assim mesmo? Não fazem nenhum tipo de reflexão diante de seus travesseiros?

É a mesma reação, diante da historinha que circula pela Internet com o título “Pilotos muito corajosos (A cinco mil metros de altura...)”. O bem nutrido filhinho estadunidense para o papai piloto de bombardeio, que está chegando em casa após bombardear uma cidade cheia de civis:

- Papi, matou muita gente hoje?

- Matei bastante, filhinho, e também mutilei, queimei, despedacei; sou um bom profissional. Mas ninguém que você conhece, querido, apenas estrangeiros.

- Pôxa, papi, como me orgulho de você. Quando crescer quero ser igualzinho.

- Obrigado, filhinho. Não fiz mais do que minha obrigação. É o meu trabalho.

Essa hipocrisia predomina tanto lá como cá, infelizmente.

Em tempo: O nome desse artigo é o de um samba de Noel Rosa, uma bem-humorada e ferina crítica, feita no início do século passado, falando de desonestos políticos, que hoje proliferam-se como chuchu na cerca. (Henrique Perazzi Aquino - RG 9.710.205)