09 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

Iraque revida invasão com artilharia

Por Khaled Yacoub | Agência Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - Forças iraquianas que defendem Bagdá revidaram a invasão das tropas lideradas pelos Estados Unidos no centro da capital com disparos de artilharia, morteiros e franco-atiradores ontem.

Com a entrada de dezenas de tanques nas ruas de Bagdá e a tomada de dois palácios presidenciais na margem ocidental do rio Tigre, a guerra urbana prometida pelo presidente iraquiano, Saddam Hussein, finalmente começou.

Mas ao anoitecer, soldados e tanques norte-americanos ainda ocupavam pelo menos um dos palácios invadidos no centro da cidade e não demonstravam intenção de deixá-lo.

“Podemos ver quatro tanques. Eles ainda estão lá. Os soldados parecem estar bastante relaxados e estão caminhando dentro do complexo”, disse a correspondente da Reuters Samia Nakhoul.

Por volta da meia-noite, a cidade ficou em silêncio. Anteriormente, a poeira branca desprendida dos morteiros e misturada a uma tempestade de areia encobriram a cidade, obstruindo a visibilidade, enquanto disparos de artilharia e explosões de bombas ecoavam pelas ruas de Bagdá, principalmente nas regiões sul e oeste.

Soldados da Guarda Republicana iraquiana assumiram posições atrás dos prédios dos ministérios da Informação e das Relações Exteriores, no centro de Bagdá, disparando lançadores de granadas contra tropas dos EUA a algumas centenas de metros de distância.

Disparos de artilharia, aparentemente iraquiana, atingiram o complexo presidencial na margem ocidental do rio Tigre, tomado por tanques norte-americanos na manhã de ontem.

Um fotógrafo da Reuters viu cartuchos de artilharia, aparentemente norte-americanos, nos jardins do luxuoso Hotel Al-Rashid, perto do prédio do Ministério da Informação iraquiano.

As poucas pessoas caminhando nas ruas eram soldados iraquianos com fardas completas de combate ou combatentes em trajes civis.

Os moradores locais refugiaram-se em suas casas para escapar de balas perdidas e estilhaços de bombas. A televisão estatal exibiu imagens antigas de Saddam e tocou canções patrióticas.

O Ministro da Informação iraquiano, Mohammed Saeed al-Sahaf, disse a repórteres que as forças iraquianas estavam massacrando o inimigo e negou que tanques dos EUA tivessem tomado palácios presidenciais em Bagdá.

“Como nosso líder Saddam Hussein disse, Deus está grelhando o estômago deles”, disse Sahaf, do alto de um telhado no centro de Bagdá, ignorando a presença de tanques norte-americanos a apenas algumas centenas de metros do outro lado do Tigre.

“O combate continua nos principais campos de batalha. Bagdá está segura e fortificada, e os bagdalis são heróis”, declarou.

Dois soldados dos EUA e dois jornalistas estrangeiros foram mortos e 15 pessoas ficaram feridas quando um foguete iraquiano atingiu um centro de comunicações norte-americano no sul de Bagdá, disseram militares norte-americanos.

“O fato de que forças iraquianas ainda estão lutando contra forças dos EUA mostra que ainda há algum trabalho a fazer”, disse o tenente-coronel Peter Bayer, oficial de operações da Terceira Divisão de Infantaria dos EUA, ao correspondente da Reuters Luke Baker.

Em um incidente separado, dois fuzileiros navais dos EUA foram mortos quando tentavam tomar duas pontes na periferia leste de Bagdá. Oficiais disseram à Reuters que dois fuzileiros foram mortos e três feridos quando uma bomba lançada por eles mesmos caiu muito próxima.

O correspondente da Reuters Matthew Green disse que os fuzileiros tomaram as pontes e as cruzaram com tanques e veículos blindados, e depois avançaram contra unidades da Guarda Republicana do outro lado do rio.

O lado ocidental do Tigre, chamado Karkh, estava deserto, incluindo uma vila onde moram aliados de Saddam. Símbolos do poder de Saddam, como complexos de segurança e escritórios da indústria militar ficam no Oeste.

A televisão estatal transmitiu duas vezes ontem uma convocação de Saddam, anunciada pela primeira vez no domingo. “O presidente Saddam emitiu uma ordem... para todos os combatentes. Se você encontrar dificuldade em juntar-se a sua unidade por qualquer razão, você deve juntar-se à unidade que encontrar até (receber) as próximas informações”.

Vários civis, no entanto, decidiram fugir dos bombardeios. “Acho que 80% das pessoas partiram para o leste para escapar dos bombardeios”, disse Ali, morador da Cidade Saddam, uma grande favela na periferia de Bagdá.