11 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

Moradores de Bagdá não sabem se é pior fugir ou ficar na Capital

Reuters
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Bagdá - O que é mais seguro, fugir ou ficar? Em Bagdá, onde essa é uma questão de vida ou morte, ninguém consegue responder. Serour Yas queria voltar para casa, mas seu pai foi enfático quanto à fuga.

Agora, toda sua família está morta. Pai, mãe, três irmãs, três irmãos e uma cunhada morreram ontem por causa de explosões perto do microônibus que os levava para fora da cidade e para longe dos bombardeios dos Estados Unidos e do confronto entre tropas iraquianas e norte-americanas.

“Estávamos viajando durante a noite e escutamos o barulho de um avião. Pedi para meu pai voltar, mas ele insistiu em continuar”, contou chorando à Reuters a jovem de 18 anos deitada em um leito do hospital Kadhimiya, com um braço quebrado e feridas por estilhaços de metal. “Ele disse que não era nada. Ele não acreditava que eles poderiam bombardear uma família.”

Serour e sua família deixaram sua casa em Kadhimiya, no centro de Bagdá, assim que as tropas norte-americanas invadiram a cidade e tomaram dois palácios presidenciais. Eles se dirigiam para uma vila mais distante e segura. Eles estavam em uma estrada a cerca de 20 quilômetros do centro, quando Serour viu algum tipo de míssil explodir. Ela foi a única sobrevivente.

Autoridades iraquianas dizem para os habitantes ficarem e lutarem porque a cidade está segura. As forças norte-americanas dizem para ficarem dentro de casa porque é mais seguro, mas os hospitais estão cada vez mais cheios daqueles que decidem permanecer na Capital. A tragédia de Serour era apenas mais uma no hospital de Kadhimiya.

O hospital está superlotado com feridos dos confrontos de ontem. Ali Ismaeel Abbas, 12 anos, dormia quando um míssil destruiu sua casa, matou seus pais e outros nove parentes, queimou seu corpo e arrancou seus braços, relatou ele em outro hospital durante o final de semana.

O Iraque parou de divulgar o número de vítimas civis desde a invasão norte-americana à Capital. Fontes dos hospitais disseram que milhares de pessoas foram mortas e feridas desde o começo da guerra em 20 de março.

“Está difícil contar o número de feridos. Não há eletricidade nos hospitais. Estamos dependendo de geradores. Não sabemos o que fazer se as coisas piorarem”, disse o médico Emad al-Mashhaadani à Reuters. Os médicos que conseguem chegar aos hospitais driblando os bombardeios estão trabalhando ininterruptamente há quatro dias.