Gaza - Israel matou ontem um líder do Hamas, um dos assessores dele e outros cinco palestinos em um ataque aéreo ocorrido horas depois de o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, prometer renovar os esforços para acabar com a violência na região.
Mais de 40 civis palestinos ficaram feridos no bombardeio contra o populoso bairro de Zeitoun, na cidade de Gaza, segundo um hospital local. Esse foi o primeiro ataque do tipo desde o início da guerra no Iraque, há três semanas.
O Hamas, que já matou dezenas de israelenses em ataques suicidas nos 30 meses do levante palestino por um Estado independente, prometeu vingar as mortes de Saad Al Arabeed, comandante das brigadas Izz el Deen Al Qassam, e de seu braço-direito, Ashraf Al Halabi.
Os dois estavam em um carro atingido por dois ou três mísseis que, segundo testemunhas, foram disparados por um caça F-16. Um pedestre foi morto pelo míssil que errou o alvo e também feriu outras sete pessoas em Zeitoun, um bairro conhecido como baluarte do Hamas.
Com uma perna ensanguentada, uma mulher tentava acalmar seu filho, enquanto esperava socorro. “Meu Deus, o que eu faço?”, gritava ela, enquanto funcionários de uma padaria vizinha tentavam ajudá-la. Minutos depois o pânico tomou conta do bairro, quando centenas de pessoas aglomeradas no local começaram a correr ao escutar o ruído de helicópteros e de um F-16 de Israel.
Muitos foram pisoteados. Foi então, segundo testemunhas, que helicópteros dispararam dois mísseis, e mais pessoas caíram feridas no chão. Dois civis foram mortos e outros dois, entre os cerca de 40 feridos, morreram mais tarde no hospital, disseram médicos.
O Exército de Israel não comentou o ataque, mas oficiais militares disseram que Arabeed esteve envolvido em dezenas de atentados contra alvos israelenses desde a década passada. Segundo os oficiais, Arabeed ganhou mais poder nas brigadas depois que seu principal comandante, Sala Shehadeh, foi morto em julho, em outro bombardeio à Faixa de Gaza.
O ministro palestino Saeb Erekat disse que o ataque de ontem demonstra que Israel só conhece o caminho das armas. Ismail Al Haniyah, porta-voz do Hamas, anunciou: “A resistência não vai descansar até que vingue o sangue sagrado de seus mártires heróicos. O novo assassinato só vai aumentar a determinação para que a resistência continue”, afirmou.
Há um mês, o ataque de um helicóptero israelense em Gaza matou Ibrahim Al Maqadma, 51 anos, um dos fundadores do Hamas. Na época, o ministro da Defesa israelense, Shaul Mofaz, disse que outros dirigentes do grupo islâmico seriam mortos.
Pouco antes do início do ataque dde ontem, Bush encerrou uma reunião com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, na Irlanda do Norte, prometendo dedicar atenção à resolução do conflito entre israelenses e palestinos.
Pelo menos 1.978 palestinos e 727 israelenses já morreram desde setembro de 2000, início da atual Intifada - levante popular palestino contra a ocupação israelense na Faixa de Gaza e Cisjordânia.